domingo, 28 de dezembro de 2014

PRESERVATIVO

I.
não te procuro mais em outros corpos,
meu tato insatisfeito apalpa o próprio
que chorou tanto em faces de protótipos;

II.
o vejo ao longe atravessar os campos
voltando de batalhas sem vitórias,
meu rosto sem memória em qualquer canto;

III.
vivendo vou te recriando
em doces e amargas melodias
pois és o único que amo;

IV.
nem todos os dublês se fazem mortos;
e em sentimentos fictícios
te mato, amor, de puro ódio.

Pierre Tenório






sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

escrever pra mim não é profissão;
não que eu não leve a sério, mas, preciso.
escrever é mais do que procissão
de dez mil pessoas pensando em velas.
gosto de conversar com os meus
eus e os eus de outros;
abreviar sentimentos
e só.

Pierre Tenório

a saudade já me mastigou
por todos os lugares onde devorei
ventos e assim vai se manter
congestivamente exata
em meu corpo ainda vivo;
penso.

Pierre Tenório
amor bomba

me abandonaste
-desfiz problemas
compondo cursos
antipoemas.

me afagaste
-perdi o senso
em não sintaxes
ganhando tempo.

Pierre Tenório

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

PINHEIROS (natais despedaçados)

suas palavras encheram alguns açudes,
secando-me as veias;
vias vazias
paisagens completas
de quase histeria.

não lembro o nome dos endereços
nem uso aplicativos,
ainda que usasse
as seringas estão
cheias de ar.

resumo meus esforços
no descanso discursado,
conceituando a vida (o amor)
um relógio acelerado,

um corpo leve ao despencar,
um corpo denso ao se afogar,
pratos sujos na pia e
no fogão gás a vazar;

nenhuma sílaba ferida
sim ou não, vai afirmar
como eu devo fluir
ou se ainda posso rezar;

já não quero mais presentes,
nem coroa de estrela,
se arrancam-me os frutos verdes.

Pierre Tenório


sábado, 20 de dezembro de 2014

ELEGANTE

coerente
tua mão serpente
foge

daqui;

mas o cheiro
de pavor que
a ausência

exala
de longe,

me come.

pensei que gostavas
do gosto
meu rosto
olhar

por mais
que as drogas
não efeito

façam
enquanto me
usas, sinto

a luva
envolvendo-me
os pés

tuas chuvas de céu
nublado

me acabamento
de inacabado
amor

consumado.

embora
me faças
refém

qualquer hora
me honras

teus olhos
de espelho

que mandam-me
embora

pra perto.

Pierre Tenório

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

não encantado
me espaço
fechado

calo entre os dedos
das mãos

descabaço;

cartões
não escritos
passeiam jardins

desfloridos
sorrisos,

vestidos de noiva
regados
buquês

de sórdidos
simples
porquês.

se o sim
que não ao não


revoga
o ato
de se renovar

ingrato.

reponho-me
ao marco

remarco
desfatos

recortando
mandos

desmando
e disfarço.

expondo
ao mínimo

compondo
ao máximo.

Pierre Tenório







terça-feira, 16 de dezembro de 2014

madame diabólica

-enquanto paga
a foda
acaba;

celebra o natal
querendo dar;
presentes

pelo amor
de deuses.

Pierre Tenório
DE OLHOS BEM FECHADOS

meus fantasmas gritam
em auroras silenciosas;

auroras escurecidas.

meus fantasmas silenciam
a clareza
dos crepúsculos luminosos

crepúsculos
inescrupulosos.

meus fantasmas riem
dos lagos sangrentos
que abrigam
meus olhos
de peixe.

meus fantasmas
fizeram escolhas

e agora são
árvores
despidas de folhas;

fogueiras juninas,
notas musicais,
páginas de bíblia
enrolando cigarrilhas,
páginas em branco
sem mais guerras
escritas.

meus fantasmas
estão presos
na liberdade
que desconheço.

Pierre Tenório




quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Ventos

falando
de mal gosto
não desgosto
das boas formas
quais enfrento.

não degusto
muitas vezes
quem me come
ou me olha
me comendo
quando mastigo.

me desfaço
dos quereres
bem amados
desfaleço
as alegrias
dos perfumes
amaciados por

água e
sabão.

sinto cheiro
de alegria
por não ser
perfeitamente
o sofrimento
de não te-lo
inteiramente

nessa rima
tão
de vida;

só sei não sei
que ao fim do fundo
não há fossas
nem há mundo

tudo que respira
nos varais
são roupas
limpas
esperando.

Pierre Tenório




segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

AQUÁRIO

O céu é o mar
daqui
onde estou
afogado

a lua não é satélite
estrelas não peixes
boiam

ondas não senoidais

sem mais

nada
em mim
se esvai

por trás dos olhos
fechados
de vidro.

-não há tempo
para
escapatórias.

Pierre Tenório

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

FAMINTO

arco íris
escorre nas mãos;

escolho uma cor
para narrar todo
tremor
deste suposto
sem fim

ai de mim

se não falasse que
sinto muito

não tenho como evitar
vaidades
as letras
desmancham como
gala jorrada
porra
no vão das paredes
em redes

boquiabertas

como se fossem
algo que são

incontroláveis

dentro do meu pau
apaixonado
cu, braços, objetos ao redor
coisas assim
sem mim e
fim

abraços
imaginários

ventando;

oração
pelo que vem
de poema

em poema.

Pierre Tenório

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

vou mentir
que és incapaz
de reparar
em minhas
pernas
trêmulas

pelas
primeiras
segundas
terceiras intenções;

não vou dizer
que és capaz
de alinhar
teus
labirintos
do início

ao fim
do caminho

pelas
terceiras
segundas
e primeiras
impressões;

não vou
deixar
de amar
espinhos.

Pierre Tenório

domingo, 30 de novembro de 2014

escultura
das inspirações
minhas;

vai
e vem
pro

catavento
de vira vira
volta

revira

revolte.

pierre t.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

SEM MUITA FILOSOFIA

és a coisa
mais lindinha
que tenho

o

[in]contentamento
de não ser
minha

sendo.

Pierre Tenório

terça-feira, 25 de novembro de 2014

ódio criativo


me deixaste;
escrevi
um livro.

me amaste;
não fiz
mais nada.

Pierre Tenório

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

poeminha fresco

quero que só o vento
cuide do meu amado;

mesmo que ao mesmo
tempo
esteja sol e nublado.

Pierre Tenório

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

RODA VIVA

fumo e passo porque minha amiga também quer.

Pierre Tenório

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

RE-FEIÇÃO

ao colheres
vazios servidos

faces cortam
semblantesquecidos

entre ciúmes
garfes envolvem

apetite.

Pierre Tenório
MANUAL SUBLIMINAR

os calos
dos pés
só falam
com as mãos.

Pierre Tenório

domingo, 9 de novembro de 2014

CÉU DA BOCA

tão profundamente
o meu pau sentia
falta dos teus dentes.

Pierre Tenório

















sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Faz tempo que não respiro, confesso
estou preso ao ar que me rende
em total manifesto

à minha sobrevivente decadência
pertinente branca e preta
indecência.

Por favor, não me ajude!

Pierre Tenório


DISTRAÍDO

adivinhação:

não há
de vir
ações.

corpo
humano
cor por
pranto

derramado
ramado
amado

absurda
mente
abstraio
surda
raio

introspectiva
expectativa
extático
extinta
tinta
ex

amplo

contemplo
contenho
venho

boceta
peito
pinto

cometa
gameta
capeta

eita!

a pior sensação
é a SANÇÃO
dos teus
cabelos

pelos
elos
cu.

Pierre Tenório














quinta-feira, 6 de novembro de 2014

SEX APPEAL

segure as rédeas
da sua vida
e cavalgue.

Pierre Tenório

terça-feira, 4 de novembro de 2014

MEDUSA

o olhar
desvia

quando
o meu
espia

se
encontra
pedro

à procura

do que jaz
sentia.

Pierre Tenório

domingo, 2 de novembro de 2014

ORA, LÚCIA

Senhor, castigai a obviedade,
não permitas que ela invada os céus.
A irmã gritou comigo dizendo que
não vou para o céu, não seja óbvio;
por favor!?
Prometo ser mais criativa e
desobediente, amém.

Pierre Tenório
PECADO

Regarei desfalecidos jardins
com pedregulhos e sementes
a espera não jaz em mim
como o veneno da serpente

que rastejando sobre as nuvens
carregadas de tempestades
devora dos raios o perfume
e a energia das divindades

fareja lambendo os ares
à espreita silenciosa
e de aquiles os calcanhares
beija como as rosas

numa cesta aguarda incauta
entregue à luz de frestas
anseia o som das flautas

dividindo o bem e o mal
vive e morre perdida
em sua dança pessoal.


Pierre Tenório

travessura: ter que renomear travesseiros.

Pierre Tenório

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

memórias de gala

olhando as fitas de vídeo empoeiradas
e com cheiro de fitas de vídeo, percebo
que as coisas estão sem graça,
como uma vadia ri ou
quando você abre a caixa d'água
e ela está quase no fim.
cds arranhados não causam a mesma
euforia de limpa-los e paciência
para esperar o arranhão que não vem
ou piora
e as praças vazias não contém a violência
de quando eramos nobres nas praças vazias
violentas;
a casa está fechada
e na fachada os matos crescem
pela calçada, invadindo tudo.
as poucas fotografias narram
o que as lembranças agarram
do que não sobrou, mas
a fumaça dos cigarros
ainda causa efeito.


Pierre Tenório






DOCES OU TRAVESSURAS

irei me aproximar
de todas as suas faces
jurando não me assustar

por mais que não observe
ternura em nenhuma delas
renovarei meus disfarces

em cada personalidade
existe um foragido
a cavalgar da cidade
para lugares perdidos

mas, para que se inventar
sobre qualquer perfeição?
se o dom de viver é busca
por mil transfigurações.

Pierre Tenório





quinta-feira, 30 de outubro de 2014

EM NOME DO PÃO

Com todas as dúvidas implico em dizer mais uma vez;
de todas as putas que já amei ela foi a última
a tomar café da manhã.

não foi isso que me congelou ao frio do seu corpo
e sombra, certamente me viciei
na maneira como rasgou o verbo sobre minha pele
inebriada. penetrando os sentimentos todos da vida
como uma vacina
na parte mais rasa da alma indefesa.
a alma que dança cegamente
a alma que nunca cansa
aquela alma invisível que a gente
não imagina.
não resisti as lágrimas do corpo duro
que jorraram-lhe diretamente
aos olhos o raiar de um sorriso.


Puta que pariu, acabou o pão
e ela foi embora com fome
do nosso primeiro encontro.

Pierre Tenório



Por trás das grades
observo a paisagem
chover em câmera
lenta.
Sobre as lentes
dos olhos, os pingos
secam tão rapidamente:
que o teu eterno
em meu presente.

Pierre Tenório

domingo, 26 de outubro de 2014

COLHENDO FRUTAS PODRES

estalando os mesmos ossos
quase pude perceber
que a vida de tão rude
não irá nos esquecer

gentilmente leal
nunca ouviu-se igual

e já que a morte é tão falha
dar-se então mil gargalhadas

não ter significado
e transcender
entre os acasos

como ater conformidade
pra não mais sentir
vontade

de beber um suco fresco
com biscoitos de saudades.

Pierre Tenório


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

DESINTOXICAÇÃO

Com todos os poros abertos
contra gotas de sentimentos
o que agora se faz tão podre
e de tão mal odor tormento

dançando de alma despida
o corpo implora partida

não há nada que umedeça
as cicatrizes dessa sombra
por mais incrível que pareça

transbordando por entre os rastros
perfumes voltam aos seus frascos.

Pierre Tenório

terça-feira, 21 de outubro de 2014

QUEBRA-CABEÇA

As cenas nos digeriram
sem sequer saber, dirijo;
sem querer realizaram
os sonhos da nossa farsa

a cena nos mastigou
do íntimo ao figurino

as cenas nos encenaram
enquanto tanto fingíamos
aprender a ser quem somos

a cena é só mais uma
peça a ser perdida.

Pierre Tenório

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

esperei o sono chegar alguma hora
entre um bocejo e outro eu pensava em
algo para escrever com sono,
não creio que vá conseguir
convencer
ou ser delicado
não creio que meu raciocínio
me permita
sair do meu raciocínio principal
bocejo
que é dormir
fazia tempo que não via o corujão
em mute
mas, não preciso ver
o sol nascer.

estou com tosse e
escrevi um projeto de retranca
abaixo,
conversei com alguém legal
ouvi joão pernambuco,
parece que estou escrevendo
uma carta de despedida,
não costumo vomitar tanto;
mas, posso começar a relatar coisas
em rascunho
o ensaio não foi legal.

t,Pierre
APANHADOR DE PESADELOS

Afago-me ao travesseiro
relembrando pulso a pulso
inspiro nos rígidos músculos
teu corpo milagre terceiro

consagro lençóis de ausência
insônia, dor, auto-clemência

reverencio pesadelos
lamento não gozar escolha
meu exímio sonho é te-los

morrer em silente desejo
é adormecer sem um beijo.

Pierre Tenório

terça-feira, 14 de outubro de 2014

CAMISA DE FORÇA

procurei durante algumas
semanas e
encontrei este poema
que escrevo em despedida;
nele posso passar alguns
dias de férias
algumas pílulas
também há flores
talvez flores
artificiais
e naturais misturadas,
algumas orações,
canções e
lembranças.

nele está a fazenda
cavalos e vacas e porcos
e lago.
em despedida a tristeza
escrevo sobre a vida
real
que vejo no brilho
do semblante dos manequins
das vitrines
em liquidação,
enquanto me despeço da cidade
sinto cheiro e as cores
da calmaria.
sorte no jogo

Pierre Tenório
ADIVINHAÇÃO:

não há de vir ações.

Pierre Tenório

domingo, 12 de outubro de 2014

VARAL

o elástico das cuecas está bem
folgado
sinto muito amarrar as calças
com fitas de cetim desfiadas
onde estão os corpos
onde está o nome santo
onde estão as interrogações
onde estou
no começo da ponte
recém-casada
buraco negro
na lama
iluminada
nadando
afogado.

sinto muitas contrações
mas, meu filho está
morto
se mexendo
dentro
da cabeça,
preciso vomitar
mais um pouco
de leite
no buraco
preto
onde vejo
além do menos.

Pierre Tenório

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

LENTES

ao invés de mover
montanhas

vive soterrada

por um grão de pedra
no lugar errado.

feche

a boca e abra

cadabra.



Pierre Tenório

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

PENITÊNCIA

Olhos:
o veneno
remédio;
o caminho
sorriso
ouvido
olfato,
labirinto.

A razão
dos pecados
está
por trás
dos teus
óculos
quebrados
degraus.

Ataque
sem defesas;
condena.

Pierre Tenório

domingo, 5 de outubro de 2014

vai
embora
da minha escola
que não ensina;

ebola.

vem
idiota
na minha cola
me contamina;

escolta.

USEM AS MÁSCARAS
SEM ESQUECER
DE REPASSAR

O APRENDER
QUANDO LEMBRAMOS
DE ESQUECER

todos.

Pierre Tenório

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O SILÊNCIO DE VIRGÍNIA

Virgínia saiu disposta
a trucidar seu amante,
despindo o doce semblante.

Das tripas fez um colar;
batom vermelho de sangue,
brincos de olhos, um par.

Com a pele fez um vestido,
quebrou dois ossos, os saltos,
seu sentimento ferino.

Queria se sentir linda
plenamente amada,
de ódio estava banhada.

O nariz tornou-se pingente
a rodopiar o pescoço
que a meses não sentia dentes.

Das panturrilhas fez travesseiros
com as orelhas um tapa olhos,
pra não enxergar terceiros.

Jogou fora o fígado alcoólatra
jogou fora os pés calçados
jogou fora os pensamentos;
cérebro despetalado.

O coração pôs num relicário
para o amor ficar para sempre
inteiramente intacto.

Costurou a boca em sua vagina
virginiana e para sempre
silenciada.

Pierre Tenório

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

ESTATI(STI)CO

lembro-me como hoje da vez que tentaram me matar,
o que era para ser uma noite de sexo casual com algum
desconhecido,
tornou-se a noite mais importante da minha vida medíocre.
eu estava prestes a descobrir que objetos não tem sentimentos,
mas, transbordam emoções.
era incrível o ódio que ele me batia insistentemente, eu que só
queria ama-lo um pouco, como amo meu abajur;
não sentia dor alguma, nem esboçava qualquer tipo de reação,
nem mesmo quando minha roupa foi inteiramente rasgada,
asfixia barata, ou quando um cabo de vassoura foi introduzido
em meu orifício analítico e meu corpo serviu como tela para
uma obra defeca;
sofria pacificamente, como quem já perdeu a guerra.
apelei pra virgem maria em algum momento, não sei se ela interviu
mas, com certeza o pároco diria que eu estava pagando os meus
pecados.
prefiro acreditar que tenho poderes mágicos e que
o meu silêncio me salvou.
não, esta não é uma história de superação e
está longe de ser.
quando comecei a amar pessoas, descobri que não há muita
diferença entre elas e o agressor homofóbico,
(que fora assassinado meses depois)
ele foi perverso e verdadeiro em suas atitudes;
queria acabar comigo.
os (poucos) caras que amei até hoje depois do incidente
beijaram-me o corpo, escreveram poemas, me deram presentes,
fizeram acreditar que eu era realmente importante;
e acabaram comigo,
espancaram os meus sentimentos.
a noite mais importante da minha vida medíocre;
a noite em que me tornei objeto.

Pierre Tenório





terça-feira, 30 de setembro de 2014

MAIS UM POEMA RIDÍCULO

sonhei comigo mesma
me masturbei por horas
joguei xadrez sozinha
sem discos na vitrola

beijei muitos espelhos
brindei taças de lágrimas
raspei os meus cabelos
bonita te esperava

jantei a luz de velas
rocei o pé na perna
da cadeira vazia
que na mesa te espera

amaldiçoo teu nome
pela milésima vez
nenhum demônio escuta
a minha insensatez

bendito seja teu nome
por uma única chance
de caso deuses existam
trazerem tu, meu calmante

tornei-me um ser inerte
por nada tenho apreço
envio gardênias murchas
para meu próprio endereço

nunca irei ao cinema
nem tocarei violão
não cantarei para os muros
que isolam os corações

perdida num labirinto
relembro aquele perfume
fatio os meus instintos
catana sem nenhum gume.

Pierre Tenório





















segunda-feira, 29 de setembro de 2014

REVOLTO

exclui os teus rascunhos
quebrei pratos na cozinha
ignorei testemunhos
de tantas línguas vizinhas

bloqueei os teus recados
o cheiro insiste em vingar
tingi até os retalhos
que querem nos remendar

todos os artefatos
das lembranças que restaram
nunca serão apagados

recolherei os destroços
sem lágrimas nos olhos
e nada mais será nosso.

Pierre Tenório






sábado, 27 de setembro de 2014

GAME STATION

por sorte
ou destino
um anjo maligno
cruzou meu caminho

forma de mulher
coração de pedro,
judas, mateus
maria, josé.

do sexo, escrava
sadomasoquista
supervisionava
varões sem conquista

para meus fetiches
saírem dos planos
sempre estaria
debaixo dos panos

com cada joão
que se envolveria
mais uma cabeça
num prato traria

matar o amor
é sua função
ainda há quem diga
que existe cão.

Pierre Tenório










sexta-feira, 26 de setembro de 2014

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

o que sei
é justamente
o que não sei.

é confuso
cruel
injusto

quero ficar longe

e encontrar
outros
eus.

Pierre Tenório

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

SONETERNO

comecei desenhar um romance
baseado em história real
o antagonista sou eu
no papel do bem e do mal

nele alumiam feitiços
não há começo nem fim.
antigas bruxas e magos
almas unidas a mim

um caos de exatidão
devorado por subjetivos
pretextos de interrogações

tudo está (quase) descrito
ao findar, folhas secas
silêncio desaparecido.

Pierre Tenório





sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Disseram que não encontrarias o caminho de volta, apesar de tudo estar claro pelas paisagens que percorres tão convicta das próprias vontades e viciada nas minhas.
Tuas mãos exercem poder, mas não consegues sequer amarrar os sapatos.
Apesar de não estar perdida, tu não te encontras em nada
se não em si ou ali perto daquele quadro.
Vens a mim em busca dos teus pecados ou
de um deus mais humano?

Vou acender um cigarro.

Eu sabia que estavas vivendo de saudade, mas, as gavetas estão abertas
e lá tudo escrito e perdido, não há mais nada que possa ser desfeito.
Não se queima o abstrato lançado ao universo, lembra?
Logo será uma mulher independente de qualquer coisa.
Teu engasgo não me engana; faz tanto tempo.
Desconfio que depois de tantos anos sozinha ainda insista
em trancar as malditas portas do guarda-roupa.

Lembra essa música?

Embriagada, caindo em meus braços derramada;
Brindamos com os inimigos;
sorrimos para os peregrinos ao alvorecer,
choramos e dormimos nus
o tempo parou
e fizemos de conta...
fizemos de conta.

Pega aquela marica, ali.

Me disseram que estás louca, mas, não existe loucura maior do que estar perdido, meu amor.
O descontentamento de não visitar alguma de tuas províncias me torna prisioneiro a esmo.
A ansiedade de me ver enjoado dos teus vícios, contemplando o nosso amor sendo gasto, quase jogado fora, não é maior do que a esperança de reinventa-lo. Estamos velhos.
Só assim eu poderia me amar um pouco mais,
largar os cigarros e beber três litros d’agua por dia.
Consigo enxergar um universo aí dentro, logo eu, que fico sempre por fora.

E estás aqui.

Pierre Tenório

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Margarida cansou de ser flor
por não ter tão perfeito odor
quanto Rosa, que não contemplava
sua própria cor.

Não mais encanto havendo
em cada essência de ser
foi feito um belo buquê

para receber Jasmins
que irão aguar o jardim.

Pierre Tenório

terça-feira, 16 de setembro de 2014

dublê

não se mede o prazo
que a bala dança
sem nenhum atraso
na atmosfera
querida

não se compra
nem se compara
descompassada
passa
abalada

desafinada
desafiada
desatinada
desata

vara
plana
rasga
fura

clara
chama
raspa
cura

dentro
deixa marca
tempo fecha
demarca

ilimita
elimina
o instante
restante;

não esqueça
o sentimento
de quem é
figurante.


Pierre Tenório

















quinta-feira, 11 de setembro de 2014

CERTIDÃO

neste
ando
e vindo
a vida começa
a qualquer momento
a ter um sentido.

neste
dentro
afora
o dia termina
e a cada segundo
um nome vai embora.


Pierre Tenório


PROFUNDEZAS

apago
tanto quanto
afago

num trago,
sumo
do agarro

fumando
se esvai
cigarro

jogando
fora todo
amarro

a garra
de toda
sereia

é calda
molho sobre
a mesa.

Pierre Tenório



segunda-feira, 8 de setembro de 2014

CARROSSEL

a princípio
me fiz fraca
luz de sol
opaca.

em seguida
parafuso
em ponta
de faca.

Pierre Tenório

domingo, 7 de setembro de 2014

aguente

tanta gente
que no silêncio
confunde a mente .

Pierre Tenório

sábado, 6 de setembro de 2014

contando até três
escolho a melhor
das hipóteses
presumo que finalmente
estou em frente
com a sorte de si

de três até um
devolvo o pior
dos pacotes
resumo que alegremente
estou por trás
da tristeza em ti.

Pierre Tenório


MALDIÇÃO

se poderes
te pudessem;
mil porções
de mim estivessem
em ti
meu bem
estar
estaria.

grades de olfato
prendendo os sonhos
sapatos novos
abrigo em plantas
fios de lágrimas
saudades vãs
lembranças
lãs.

abismos leves
sangue invisível
da fraca força
esconderijos
mãos mal lavadas
pés descartáveis
asas pesadas
nervos mutáveis.

se o preso é belo
príncipe preto
branco amarelo
verde vermelho
cores em ternos
de arco íris
olhos atentos
ao vento.

Pierre Tenório





terça-feira, 2 de setembro de 2014

GALOPES

a noite cavalga perigosa
enquanto os
deuses descansam;

a noite é o próprio
cavalo
dentro do nosso corpo
e órgãos,
alguns drinques
e diarreias
proferidas pela
boca e
diafragma,
o olho do meu cu
não aguenta ouvir
tanta água suja.

há quem diga
que somos pessoas
más, também há quem
nos deseje a morte,
e quem não entenda nada,
nem signifique nada
nem deseje bom dia
há quem seja mau;
e mal educado.

cargas positivas
e negativas

quem escreva
e quem leia
quem sorria
para flores
e converse com
cachorros
alimente
macaquinhos
roube sonhos.

há quem rime com você.

há quem o nosso dia estrague
e quem destrua a própria vida

há mestres
e rádios.

há quem construa.

há belos mistérios;

também
hipócritas sorridentes
que alimentam
nossas fraquezas
e te esfaqueiam
pelos brônquios

mas, também

há dias de sorte;
quem salve
e quem tu salves,
e a noite

há também

cavalos
sem cavaleiros.

Pierre Tenório









segunda-feira, 1 de setembro de 2014

OVOS FRITOS

atearam fogo
num caminhão
carregado
de doces

em praça pública
com todos dentro
doces queimados

a fumaça deixou
as velhinhas
as crianças
professoras
esperanças
nos galhos
e cachorros
e gatos
vendo tudo
diferente
colorido
der
re
ti
do

o motorista
saiu correndo
tirando a roupa
e mergulhou
na fonte
do centro
em frente
a igreja

o padre
achando lindo
entrou na dança
abriu a roda
e pôs-se
a rodar
na ciranda

felicidade era
coisa fina
quase obra prima

caminhão em chamas
quase tudo em brasa

só restou o cara
da lanchonete
que ateou fogo
no caminhão
cheio de
doces

triste
e sozinho
com uma máscara
de gás.

Pierre Tenório



domingo, 31 de agosto de 2014

teus

guardo rascunhos
rasgo espelhos

quando rodeio
entre os casais
sinto concreto
toda lembrança
dos teus pentelhos;

me baseio
no não ser
não ouvir
dizer não

mas, fazer.

quebro réguas
meço inteiros

de nada saber
e tudo.

Pierre Tenório




sábado, 30 de agosto de 2014

VENDAR

flutuara
em atmosfera
distante
astronauta
em paralelos
de sentir
adiante.

não quero ser deus,
sim eu.
não quero ser eu,
sim deuses.

não quero perder
ganhando a face,
nem quero ganhar
perdendo a classe

[equilíbrio eloquente;
palinóia inerente]

não quero chorar;
orvalho.
não quero sorrir
trancado.

só sei o que quero
quando não sei.

Pierre Tenório






sexta-feira, 29 de agosto de 2014

amor de cão

tenho dois amigos
cães
que me levam para casa
me lambem
e rasgam minha roupa
sem querer
não falam nada
mas, fazem sentir
como muitas
mães
não.
tenho mais de três amigos
cães
uma delas já pariu
tantas vezes
que não consegue
carregar suas tetas
de tanto
amor, para dar
como muitos
amantes
não.
outro, morreu
de doença, sofrido
incompreendido,
bem cuidado e
amamentado
como muitos
outros
não.
a outra
foi sacrificada
morta e
sepultada.
filhotes adotados
alguns
tão bem cuidados
tantos
amargurados.
os que vivem
nas ruas, são
os meus amigos
marginalizados.
como é bom
ser cão,
nesse mundo
humano.

Pierre Tenório


PURGATÓRIO

Pude sentir a ira nas expressões faciais daquela mulher,
de uma hora pra outra ela batia o martelo com mais força,
o prego caía e ela continuava batendo com força o martelo,
até quebrar as paredes.

E nas paredes do deserto ensolarado por SETE DIAS E SETE DIAS,
SEM NOITES, me tornei uma sombra escura e maldita, perseguida
por corpos a procura de uma, como quem corre do sol de um
dia-meio
corrido, sem teto e
sem tato.

Ela faz de conta, sorri e corre pelos campos secos
até que sedenta, senta sobre uma linda pedra preciosa
sem nenhum valor e adormece;
sonha com uma noite inteira
procurando conchas, pois havia um
mar;
de pesadelo bebe um pouco daquela água
salgada e sorri de si
e do deserto de si.

Acorda no sétimo dia, rastejante
a procura de uma sobra de parede que
a trouxesse sombra, mas, a ultima que restava,
ela derrubou com uma
martelada;
antes de morrer

Pierre Tenório

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

ABISSAL

inerte
em meio aos escombros

relembro
o final dos contos

que escrevi.

deleto
inícios

e iniciais;


insulto
os meios

dos meus enredos,

desesperado
desprezo

o tempo
e os vãs momentos

que não vivi.

quebraste a casa
e minha cara

rasgaste as roupas
e minha tara;

meu coração
ficou

intacto.

Pierre Tenório





quarta-feira, 20 de agosto de 2014

MEMBRANA

troco os pés
pelas mãos
no avesso
do teu centro,
tropeço nos
limites das
barreiras
do remorso, mas,
não caio;
sobrevoo as
tentações.

troco as mãos
pelos pés
me calo,
enquanto
os ventos
nas arestas,
circulam
meus anseios
não levanto;
mas, caminho
teus percursos.

Pierre Tenório

sábado, 16 de agosto de 2014

SONETO ELEITORAL

destruí minhas coroas
pés descalços sob o trono
decretando o que não soa
em discursos enfadonhos.

desisti deste reinado
em suicida estratégia,
poder sobre a humanidade
transmutou-se em tragédia?

toda forma de atacar
diluída no massacre
do perigo de votar;

toda forma de abrigo
construída a partir
de um coração sem partido.


Pierre Tenório




terça-feira, 12 de agosto de 2014

CU ILUMIALADO

atravessei a rua, olhei para as luzes dos postes,
desconfiado, esperando elas acenderem, mijei nos postes
tentei beija-los, mas eles eram de concreto,
mentes de concreto, olhos de concreto;
com o cérebro congelado, pensava pela cabeça das lampadas,
lampadas comuns, de poste, a maioria apagada ou cheias de luz.
cruzei uma rua onde nenhuma estava acesa, meus pensamentos
ficaram parecendo uma névoa e enquanto dormia, na cabeça
do meu pau existia um pensamento acordado e deserto: a sombra
que assombrou o meu coração tão povoado, que espantou o espíritos
e almas penadas, que purificou e amaldiçoou o meu encanto; e me encantou.
fiquei a noite inteira te procurando pelos postes,
quebrei as luzes de alguns
com pedras preciosas e pensamentos predadores.
enquanto escalava vagarosamente aquele poste em busca de
um feixe de foco, pensava o que era realmente necessário fotografar,
observei a cidade enquanto apagava as luzes dos postes, de um por um,
igual velas de aniversário.
arranquei, desenroscando a luz daquele poste
e tive uma ideia brilhante:
imediatamente eu era vaga-lume sobrevoando a escuridão.

Pierre Tenório

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

CONCRETO

procurando a razão
dos poemas,
distante me encontro
do ponto,
subtraindo o pior
dos melhores,
rascunho esvaindo-se
ao pó.
de tijolo em tijolo
erguidas
paredes caídas
dia-a-dia;
cimento consiste
em problemas,
resumo o sumo
do poço
em transparentes
algemas.

Pierre Tenório

terça-feira, 5 de agosto de 2014

usar máscaras não é necessário quando elas são transparentes, melhor ser ridículo.

bem aventurados os que conseguem viver a própria vida.

Pierre Tenório

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

QUALQUER PESSOA PODE ESCREVER UM POEMA DE AMOR

Na primeira vez que eu falei
te amo, proferindo as palavras
mágicas, não sabia o que dizia.

Na segunda vez, pensei;
te amo, e trocamos os corpos
numa intimidade total.

Na terceira vez decidi escrever
te amo, e sacrifiquei-o
nas dobras de um bilhete.

Agora entendo a lei Maria da Penha.

Pierre Tenório

sábado, 2 de agosto de 2014

todas as palavras que eu poderia;
poderio;
pernas, artigo;
asas voam e naufragam;
como naufragarei destino
sem inventar palavras
dentro?
por mais que eu perca.
e ponto.
três pontos e o sol,
selvagens folhas verdes.
lágrimas dentro de vasos frágeis;
me sinto leve.
é... s
velho e não me serves
para tudo
fechado num buraco ;
branco de ilusões, sãs.
quero que você fique assim,
bem salvo, dentro do meu aquário,
hahahaha
brincadeira, aquele peixe me levou;
puxou o barco, me afogou,
morri de rir
enquanto te salvava, seu idiota.
idiota...
ilusões são tão
tudo ou nada, pq
te amo.
meu pênis adora beijar
tua boca. sou quase
2;
enquanto a salvação
é o amor que sinto tão.

Pierre Tenório






segunda-feira, 28 de julho de 2014

ESCONDERIJO

com uma pá
cavo assuntos
nas terras férteis
do teu silêncio

jogo sementes
cubro os assuntos
de terras férteis
no teu silêncio

aguardo tanto
novos assuntos
nas terras férteis
do teu silêncio

colho as flores
silenciadas
das terras férteis
dos teus assuntos.

Pierre Tenório

domingo, 27 de julho de 2014

tenho dois namorados
um é o príncipe;
o outro, principal.

Pierre Tenório

sábado, 26 de julho de 2014

Arrepio

De propósito
provoquei espasmos
em teu corpo

Enquanto
os vulcões
da tua pele

Banhavam-me
de suor, saliva
e sêmen.

A propósito
provocas espasmos
em minha’lma

Enquanto
as lavas
dos meus olhos

Banham-te
de saudade, amor
e ódio.

Pierre Tenório
CARDÁPIO DO DIA

Ela queria um poema mais que a ele.
Ele escrevia às moscas, menos para ela.
Ela o tinha nos lábios, mãos e cabelos.
Ele roçava as mãos na caneta,
mas, não saia nada sobre ela.
Ela sorria enquanto triste
lavava os pratos do almoço.
Ele comia.
Certo dia, ela pediu um poema só dela.
Ele inventou todo amor que sentia;
enquanto ela lia,
tudo se perdia.

Pierre Tenório

terça-feira, 15 de julho de 2014

MAL DE AZAR

Esqueci a sorte
dentro do cesto
de roupas sujas.

Juntei tristezas
fora do eixo
das ditas cujas
palavras míseras
que imploravam
milhões de juras.

Tão esquecidas
páginas brancas
são minha cura.

Amanheceu e
ainda esquecido,
lavei as roupas
enquanto lembrava
de quando as tiraste;
da blusa ao short.

Foste embora
pra minha sorte,
lavando tudo.

Pierre Tenório

sábado, 12 de julho de 2014

estava pensando em ti.
esquecer
a tempo em contra tempos

procuro nos esconderijos
e demonstro pelos caminhos
nas arestas, perto das teias
das aranhas,
disperso.

nos olhos, olho e
devoro os votos
de quaisquer seres
selvagens em cumbias;

te escrevo e
esqueço tudo.

dentro do vazio
que me lembro de
aflorar.

fora dos dejetos
que esqueço
de regar.

sinto o cheiro do meu chulé
enquanto abstraio os remorsos
de te perder por entre as estradas
benditas dos sorrisos;

labirinto constante
me leva pra casa, encontro em
mim mesmo as minhas torturas,

desencontros marcados.

o meu olho furado
observa
e conserva em pedras
de gelo
os ventos.

te encontro no espelho.

Pierre Tenório
insisto em descer aquelas escadas
que desci ontem;
estive em saltos altos e
desci as mesmas escadas
que desci ontem as mesmas.
No entanto, as escadas
mesmas; de manhã
escadas descidas
de manhãs mesmas,
eram escadas... e pecados.
(espera um pouco); as manhãs
eram as mesmas manhãs
sob as escadas,
nas despertas manhãs sobre
(os sonhos)
escadas, pelo amor
dos deuses, por mais que eu suba
e desça, estarão lá
as nossas mesmas.


Pierre Tenório

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Poema Tarot

as palavras são cartas;
o sentido, destino.

Pierre Tenório
ARTE FACIAL

O problema
da criação;
é reprodução.

O motivo
decepção;
é percepção.

Sentimento
de coração;
é revolução.

Pierre Tenório

sexta-feira, 4 de julho de 2014

nada passa
tudo posso

tudo ou nada
ócio.

tudo passa
nada posso.

nada ou tudo
dócil.

Pierre Tenório

quinta-feira, 3 de julho de 2014

VÁCUO DE REGINA

não importa se minha boceta treme
em busca do amor perfeito que tanto
odeio, enquanto os lábios beijam o
trânsito maluco das ruas brasileiras;
as bancas de jornal vendem
os meus corações em vão, para qualquer
não leitor, que odeia
o que tanto amo e não
importa mais, porque os cataventos
insistem em girar ao contrário dos
girassóis secos, nas manhãs
de sábado, domingo, segunda e
teça minha liberdade aprisionada
e doida pra ser desencadeada, por favor,
teça, mas,
não me dê ouvidos, que louca
sou. (entre parênteses permeio maluca
em vozes de brilhantina, novamente
entre os para-brisas.)
comida em colchões de vento, torno-me
alimento de macumbarias
em meio aos cortejos
de negões na batucada.
madrugada atenta, chego em
bordões poéticos embriagados, estarei
pensando em nosso amor solitário,
no prazer das incertezas
que irei te matar
de sexo, nem que seja por feitiço.
o feitiço dos olhos nos
membros e todos os membros
de qualquer família.

Pierre Tenório

quarta-feira, 2 de julho de 2014

O CÃO DO APOCALIPSE

Coloquei duas bolas de gude
nos buracos dos olhos do amor,
lancei um encanto sobre elas,
mas, nem assim ele enxergou.

Entreguei-lhe uma harpa cristã
para ouvir algum divino som
mas, o amor só tem único dom
de soltar melodias pagãs.

Decidi dedicar uma dança
onde o corpo mexesse com alma
e com gestos declarou vingança;

O feitiço caiu sobre mim.
Mas quem besta fera é o amor
para nos cegar tanto assim?

Pierre Tenório

terça-feira, 1 de julho de 2014

VERSOS DE FUMAÇA

poderia abraçar o silêncio
se os sapatos não apertassem tanto;
a paz que despreza os momentos
equaliza o anseio de prantos.

poderia revelar os segredos
se dúvidas não causassem medo
da guerra perdida e o ensejo
de vitória entre os pesadelos.

o fim agora é comédia
teatralmente ensaiada
em atos de putas tragédias.

começo a recomeçar
deletando os mil motivos
que o fazem me abandonar.

Pierre Tenório

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Te procuro
nas paredes
do meu quarto.
A saudade
o aprisiona
em um quadro.
Imóvel sobrevivo
nas molduras.
Contemplo
meu desejo
em vozes mudas.
Resisto em ocupar
os teus espaços.
Nas tintas
cores secas
não te acho.
Arranco e guardo
os pregos que
o segura.
Amando as
cicatrizes
que perfuram.

Pierre Tenório






sábado, 28 de junho de 2014

não olho,
olhos nos
olhos
me pego
preso
aos olhos
nos olhos.
solto-me
leso
aos olhos
nos
olhos soltos,
olho no
olho.
braços
fogem ao
corpo
nu
olho no
olho.

tudo bem, que o inverso
me inverta.
não sei bem, mas...



Pierre

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Cacatuas mãos de pedreiro
deixam digitais de rei
sobre as vitrines
das virtudes.

Cacatuas falas ensaiadas
só repetem erros
de míseros
costumes.

Cacatua asa esfacelada
solitariamente
ante os fios
do cárcere.

Cacatua coroa colorida
monumento que atrai
contato face
a face.

Pierre Tenório








quinta-feira, 26 de junho de 2014

Pró Pático

Por ninguém gostar de mim
acabei me acostumando
a erguer bandeiras brancas
e quebrar imagens santas.

Por ninguém gostar de mim
acabei reaprendendo
a não sofrer por outrem
e esquecer o que tá dentro.

Por ninguém gostar de mim
acabei com amor próprio
desperdiçando sorrisos
e alimentando ódio.

Por não gostar de mim mesmo
acabei jogando afora
os foras que me fizeram
querer todo mundo agora.

E por gostar de ninguém
fechei os olhos nos olhos
abrindo escuridões
que fazem sentir além.

Pierre Tenório
FRUTÍFERO

Prendo os ares
me pego preso
a respiração
prendendo.
Solto o ar
nos ares soltos
ares me soltando.
Rendo-me ao
tudo e nada
me vendo rendido.
Vingo pairando
vingança nos ares
não vinga.

Pierre Tenório
ENCONTROS DESMARCADOS

ontem
esperamos
madrugadas
acabarem;
para finalmente
conversarmos
nossas vidas.

hoje
espero
que o dia assim
termine; e
a noite comece
a ter fim
sem despedidas.

Pierre Tenório


Ser
e
não ser;
não há questão.

Pierre Tenório

quarta-feira, 25 de junho de 2014

ILHA DE EPITÁFIO

Castelo de areia
com portas de areia
cadeiras de areia.
Corações de areia
abrigam o castelo
de areia.
Varanda e piscina
de água salgada
fascinam.
Sereia de mármore
canções de vento
encantam.
Castelos de água
piscinas de areia
com portas
de pedras e gramas.

Pierre Tenório
tiro
a gana
e atiro
à lama

atinjo
o profundo
sorriso
defunto

não consigo
acordar
porque o sono
persigo

não entendo
agora
porque o sonho
demora

saio
pulando
de ponto
em ponto...

Pierre Tenório



sábado, 21 de junho de 2014

eu, que só
espreito
natureza
destes olhos
l** linda
na janela,
mostre o tempo
em forma de
concreto
s**?

eis o fado de não parecer tudo em verso;
eis o verbo de não conhecer nada em fato.

Pierre Tenório





sexta-feira, 20 de junho de 2014

FOGO DIVINO

irmãs
largam
hábitos

irmãos
queimam
atos.

Pierre Tenório

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Os gritos ecoam pela janela, enquanto calada perco o fio da meada
em frente ao espelho, penteando os cabelos com dedos de muitas mãos;
Observo os detalhes dos poros e os caminhos que surgem pelas rugas da face.
Contemplo o horizonte irresistível correndo pelas estradas afora,
sorrio para arbustos que se mantém sérios e lembro de quando
aguava as plantas da varanda.
Encho a barriga de imagens coloridas e também sem cor, desfio
o rasgão no joelho da calça, jogando fora os fiapos de linha,
linhas telefônicas, polifônicas, aéreas, perco a linha e me perco
nas linhas do tempo.
Ajoelho-me encravando os dedos na terra molhada de suor, consigo sentir
o quanto o mundo é perfeito em sua miséria atômica destrambelhada, encontro
respostas no eco que me leva aos detalhes dos poros e rugas
que surgem a cada caminho.
Avisto matas queimadas, animais atropelados, ossadas e formigas;
me encontro nos brotos e frutos maduros, enquanto passo horas nas asas
das borboletas, dia após dia.
Os gritos ecoam pela janela do horizonte imenso que se conserva dentro
de cada pupila, os fios agora estão presos pelas linhas do elástico,
em frente ao espelho.

Pierre Tenório

terça-feira, 17 de junho de 2014

o sonho da pedra

graças ateu
esqueceram
até
porque
Cristo morreu.

infinitamente

graças a Deus
lembram
até
o que
Cristo esqueceu.

Pierre Tenório

segunda-feira, 16 de junho de 2014

estalo os dedos ao digitar,
por não saber o que estancar
se não os dedos cheios de sonhos
universivos, tá... Posso parar de contar
as estrelas do mar deste mísero e terreno
sertão rico sonífero.

Pier....

domingo, 15 de junho de 2014

DOMINGO DISTANTE

Arrumei as malas
maquiagem de leve
em sequência
cabelos assanhados
vestido de núpcias
batom rosa rastro
barba mal feita
barba e a dor
de um salto gasto.

de tudo um pouco na bagagem:

fogos de artifício
perfume dois pingos
garrafa de vinho
unhas postiças
maçaneta de porta
cuecas comestíveis
olhos de ressaca
silêncio defunto
roteiro de cinema.

algumas mentiras
ciúmes de vento
encartes, vinis
óleo de amêndoas
esmaltes
batatas fritas
maconha mofada
inquietude
e alguns poemas.

asas de frango
foice cega
lenços de seda
papel higiênico
3 quartos
uma piscina
ego escondido
bolinhas de sabão
e poucos problemas.

esconderijo
labirintite
vícios e cios
luzes e grillz
solidão patética
papel de bombom
violão quebrado
anel de barbante
e tantos dilemas.

Carreguei tudo
em duas sacolas pretas
de supermercado,
fiquei na esquina
esperando um táxi,
e finalmente chegou
o carro alegórico
de lixo orgânico onde
lancei as sacolinhas.

tudo de novo na bagagem
viajem maravilhosa,
mas, que bobagem!

Pierre Tenório

https://www.youtube.com/watch?v=Aog9EWiFkRc
humilhação junina

chupo o sabugo
de lembranças cozidas
tão deliciosamente.

Pierre Tenório

sexta-feira, 13 de junho de 2014

sob encantos

apago a memória
do sonho que
inconsciente
desminto,
pressinto calor
desafago o doce
acalento imagino,
suponho estrofe
perdido em
desejos docentes,
disparo balas
em festa
vestindo grávidas
jeans,
me mato em
capuz
de chapeuzinho
vermelho carente,
disponho
caminhos
despejo
em rodapés
o desejo,
por um triz
enquanto Ernesto
aos dedos
delinquentes,
piano
à lua do sol
adormeço
ausente.

Pierre idiota da silva e ponto.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

NÃO INSISTA

já falei que o amor
é partitura
em melodia.

(tentei ser músico)

disse que entre
os de bom grado
está presente.

(tentei ser padre)

inventei palavras finas
tão banais
lancei um livro.

(tentei ser poeta)

encontrei mil corações
atormentados
como o meu.

(tentei ser puta)

encontro definições
que não explicam
o que sinto.

(não sei ser, minto)

Pierre Tenório

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Correio Elefante

ombros
membros
presas
espelhos

sanguíneas
artérias
sanitários
vasos

com flores nas mãos
vomito no meio fio
de tanta felicity

um muro despencou
sobre o cartão de visita
amarrotado na caixinha.

Pierre Tenório

quinta-feira, 5 de junho de 2014

MARTÍRIO

quero sentar aos pés da tua cruz
e te contar penumbras de amor
assim viver nas mãos do teu remorso
sem gratidão devida, prego e forço.

as luminárias gritam apagão
enquanto corvos pousam na matina
pulo ao alto mar que te reveste
nas pupilas verdes que adormecem.

a lua canta em clima despedida
enquanto os santos todos se embriagam
o sol anseia luz que nos dissipa.

o tempo voa em som que acende a sina
perdido no espaço entreaberto
sou tinta na caneta que te assina.

Pierre Tenório





LIBERTINO

na mazela
dos momentos
esquisitos
no trajeto
divergente.

atrapalho
o momento
do escarro
escancarado
indiferente.

corre o bicho
da goiaba
no café da
manhã
cedo que te
acorda.

o momento
do desejo
puxa a corda
dessa forca
que te
enfoca.

Pierre Tenório



quarta-feira, 4 de junho de 2014

o poema estava
escrito no
papel de seda
fina
na gaveta
da bagunça.
com dúvidas
enrolei
puxei
lancei
à natureza
esvoaçante.
o poema está
solto
translúcido
assombro
do verbo
surpreso.
sem dádiva
destino
jogado
às torrentes
de mar
violentas.

Pierre Tenório








terça-feira, 3 de junho de 2014

CLÁUSULA POPULI

o que difere
a lei da vida
da lady diva:

uma é arte
marcial
a outra
artificial.

Pierre Tenório
sei que mesmo calados
lemos nossos sinais
porque não somos mais
que grãos descoordenados

entre risos e cânticos
madrugada a dentro
sob o brilho de vênus
numa praia do atlântico

você lembra da lua?
foi você quem nos disse:
é o gato de alice!

que a sorrir continua
para as ondas do mar
vendo o mundo girar

F. C.

domingo, 1 de junho de 2014

SCRIPTEASE

de silêncio me dispo
rasgando a história
do fim ao início.

Pierre Tenório
Não me canso
por nada,
de tentar esquecer
a confusão
causada
por nossas
pernas
entrelaçadas.

Pierre Tenório

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Clareia, nas curvas, nas dunas, na chuva, na rua, na lua...

A tua face Brasil
lava a maquiagem de norte a sul
oh meu bonito Brasil
revela teu corpo nu

Um sambinha na Sapucaí
bate um racha no Morumbi
Pé de Serra, Maracatu
Xucurú, Guarani

Gonzaga, Regina, Jobim
Tom Zé, Macalé, Sucuri
Arnaldo, Mautner, Lee

Capoeira, Hermeto Pascoal
Belo Jardim, Olinda, Natal
Vitalino, Mozart, Berimbau

João do Pife, Bandeira, Cabral
O seu Valença no carnaval
O caboclo lança a verdade
no quintal do meu Brasil,

Oh meu Brasil...

Funk
Bossa Nova
Jovem Guarda
Iê, Iê, Iê

Rock das aranhas
Popozuda
Maculêlê

A cor dor

A arte suspira
em terras de fogo
flores de mormaço
amarelas e cinzas .
Inspira-se na revolta
da guerra contra as máquinas
e se volta, prossegue
instigadas com forças
que a superfície desconhece,
os cosmos não esquecem
da interminável batalha
de mastigar pedras de sal
e lamber os dejetos
que escorrem pelos ralos
das ditaduras modernas.
A seca não é só física
a barriga ronca além do pão
um problema é exposto na vitrine
para esconder falhas
que padecem ao chão.

Coco
Caju
Manga
Muriçoca tropical

Churrasco e
música de fundo

Corrupção.

Pierre Tenório e David Henrique
meias verdades
pés cansados de esperanças vãs
areia de mar dentro de ampulhetas vazias
ossos entrevados, cem anos maduros semi tranquilos
virados em movimentos repetitivos os quais
acalentos antônimos anunciam antônios silentes
ancestrais mortos
pais e filhos adormecidos sentindo a audácia
truculenta de amores amoras secas
tecnologias de anus 2014 desgastantes
greve protestante
meu cu ri de ti, augosto dos impérios
ca
pi
ta
lis
tas.
língua suja de merda,
tesão sobre paredes indignas.

Pierre Tenório

quinta-feira, 29 de maio de 2014

CAFONA

Você é gay e eu nunca vou ficar perto de você para sempre e repito.
De certo não vou te odiar, serei seu melhor amigo e compartilharei dos melhores momentos da sua aventura vidinha cheia de talentos, seu corpo é lindo, mas os músculos estão privados (privada cheia de merda), compre um shake, pintosa desvalida, suas professoras te desprezam numa nota só.
O que vais ser quando crescer?
-Te amo.
Nádegas enfadadas desse chão, vírgulas cansadas de um mar tão imenso enquadrado numa janela, parece mentira, quem vê diz que estou louco. (estais louco)
Raiou o sol e lá estamos falando dele, evito.
Calado de tantas bicadas (drinks), atômico em versos.
Como os cabelos da cabeça não desgrudam nem ao pé da letra, cedo ou tarde a calvície amanhece os dias exigindo perucas descartáveis.
Os sentidos não fazem mais sentido, socorro!!
Luvas de algodão cru envolvem as mãos trêmulas de não sei o quê.
Não se desgrudam um minuto e separar irmãos siameses com uma faca pequena seria cruel.
O silêncio fala além das leis e textos complexos, o corpo se comporta mal, não respeita porra nenhuma, válvulas permitem que o tempo perdido volte ao passado, futuro e metros quadrados abertos alinham o esplendor doentio.
Lágrimas vão e vem e voltam às glândulas salivares que cospem o desamor terno e gravata ignoram qualquer ser real.
Decepcionam e decepam as qualidades divinas as quais não quero ser homem.
-Te amo.
Grades grossas mantêm as frestas abertas nos olhos escaldantes de frio nuclear.
A homofobia é indiferente... HAHAHA
Corpo não importa, cheiro não importa,
dias não importam; sei que exportam todo tipo de sentimentos do Paraguay, mas,
enquanto penso em teus olhos, outros corvos me devoram.
Enquanto penso em acalentar tua epiderme, vestes uma camisa nova.
Permaneço calado.

Pierre Tenório

quarta-feira, 28 de maio de 2014

AR-CONDICIONADO

Boca seguramente
interditada,
sorriso derramado
em joguete.
Olfato de fato
puro faro,
odores rodeando
arrodeio.
Ouvidos roteados
wirelles,
trilha de sinfônica
audição.
Olhos aliviados
de vazio,
pulmões esvaziados
de alívio.
Miragens de concertas
perversões.

Pierre Tenório

segunda-feira, 26 de maio de 2014

ARREDORES

como os astros estão
para os peixes do ar,

despetalado jardim
nas areias do mar

bem me quer, mal me quer.

no brilho
dos raios do Sol
oblíquo;

na Lua
que vive tão só
sou tua

do amar star.

Pierre Tenório

domingo, 25 de maio de 2014

tudo se perde na linha do tempo.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Saiu de casa para comprar cabelos vestida motocrossdresser pilotando sua lambreta anos 50 atropelados pela rua reclamaram da louca em fones de ouvido volume máximo que podia alguns quilômetros excedidos por falta de álcool em gelatina desesperada perseguida mandava abraços e beijos enquanto sorria com seus dentes quebrados a cada vítima incendiada retrucava seus charmes encantos parada gay numa calçada subiu num tanque de guerra nas estrelas do pop disco frustrada atriz de teatro do absurdo salário máximo que podia matar no mês da ressureição cerebral do hamster crucificado girando dentro da casinha escura história sem finalmente matou tudo havia pelo caminho da cidade deserto no peito da pobre querida encolhi os gigantes acordaram com olheiras e pó compacto demaquilante aniquilando vestígios de sombras certeiras trevas inferno astral das árvores amazônicas fincadas ao solo infértil do brazil colônia indígena ororubá extinta vermelha terra de marte digitalizava suas impressões no corpo inerte das vítimas queria deixar rastros e ser procurada por alguém que a odiasse abandonada a dez mil anos atrás pelo fantasma do Giorgio Moroder que produziu seu ultimo álbum e morreu de rir por estar viva a sociedade sem alternativa do caos à lama ao caos do caos a lâmina cortou os pulsos da travesti que encontrou seu aplique uma injeção contra cegueira numa lojinha de 1,99 por favor chame o táxi, estou pontiaguda.

Pierre Tenório

segunda-feira, 19 de maio de 2014

quase
nada que te dei
amo
tanto que nem sei

o que fazer
com pouco tudo
que me esvai
sem perceber

sobre tanto
tudo e nada
me reservo
ao talvez

me conservo
ao tanto pouco
de querer
tudo de novo.

Pierre Tenório

sábado, 17 de maio de 2014

PENA

Mantinha-me prisioneiro em suas pernas.
Durante as poucas horas de aprazimento, a liberdade já não era algo interessante, fingia desacordado em pensamentos delirantes, recordava suas juras enquanto as mãos a procura de repouso cruzavam minha cintura em direção ao ventre, não discernia sua respiração dos meus batimentos, eram percussão clássica de corpos anônimos, me sentia completamente consumido e condenado àquelas presas.
Não queria perceber que a eternidade não dura tanto quanto dizem.
Em giro de 180°, aquele rosto já não seria de alguém que eu pudesse ignorar no dia seguinte, pois, já era manhã e sentia muita sede, serenamente desliguei-me dos lençóis em direção ao filtro, voltei com uma cachoeira nas mãos e ele já estava de saída, como que por advento da consciência, quisesse se libertar da liberdade.

-Vamos fumar um cigarro.

Os tragos eram tão lentos quanto à capacidade que eu tinha de interpretar nosso silêncio, segundos passavam em câmera lenta (eu preferia relógio parado), enquanto os olhos reluziam o quarto inteiro. Fomos arrebatados a uma dimensão entre céu e inferno (como fumaça), a felicidade em homônimos gritava sorrateiramente, estava consumado e ninguém poderia mudar ou nos tirar isso. Mergulhamos nus naquelas águas e lembramos o quanto tínhamos bebido durante a noite, sorrimos.
Beijou-me alegando estar louco e saiu às pressas, declarou-me absolvido e carregou toda culpa.
Pago a pena de escrever, fumando solitariamente os cigarros que ele esqueceu, enquanto o pássaro inocente,
cumpre prisão perpétua em regime de asas cortadas.

Pierre Tenório

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Morri retrancado
e aos pés d’um sonetário
renasço haicai.


Pierre Tenório

quinta-feira, 15 de maio de 2014

ARRASTÃO

Ela queria tudo
O sol, céu, seu calor
e estrelas.
Ela queria
O jeito, o riso, a flor
os espinhos.
Ela queria
Homem, mulher, os gatos
e sapatos.
Ela queria
Roupas, perfumes, móveis
bagunça.
Ela queria tudo
que podia
Ela queria tudo
que é meu
até o que não cabia
inclusive o que se perdeu.
Queria o meu bem
e o mal também.
E conseguia;
exceto o silêncio.

Pierre Tenório

terça-feira, 13 de maio de 2014

FELIZES PARA SEMPRE

os momentos mais felizes
da vida daquela dama
começaram com deslizes
e acabaram na cama

ela pensou que era amada
mas se decepcionou
bolou alguma vingança
então armada voltou

ao passo que ele dormia
ela devagarinho
a porta do cu abria

emburacou sem temer
e quando estava lá dentro
ouviu o pobre gemer

ele acordou no outro dia
dela não teve notícias
só lhe restaram lembranças
daquelas doces carícias

enquanto chorava de saudade
ela sorria de alegria
porque mesmo na merda
dentro do homem amado
viveu o resto da vida.

Pierre Tenório

segunda-feira, 12 de maio de 2014

BIFE

Rita foi à manicure
e pediu por gentileza
que arrancasse suas unhas

queria que ninguém visse
o quanto estava nervosa
calou o disse e
me disse:

-Não há sentimento que cure
a infinita tristeza
dos dentes das testemunhas.

(roeram até as unhas dos pés)

Pedaços inacabáveis
da carne ao osso dos dedos
roendo, rato de rua
Rita em desespero
roeu roupas, lençóis
as mãos e os cotovelos,
terminou a sua vida
usando esmalte vermelho
e nunca aprendeu
a tocar violão.

Pierre Tenório

sexta-feira, 9 de maio de 2014

ERVA DANINHA

Peguei um punhado de areia
pra construir um deserto
só meu;
esqueci as mãos abertas
e a esperança logo
morreu.

Atirei a queima roupa
sementes de dores ao chão,
de uma hora pra outra
floresceram em imensidão.

Como não ama-las?
Se elas tornam verde o jardim.
Como não estar certo?
Se mesmo deserto,
a vida desperta em mim.

Pierre Tenório
pró-ficcionais

em uma pausa breve
transformaram a música
em semigreve.

Pierre Tenório

quinta-feira, 8 de maio de 2014

FORA AFORA

mesmo meio que homem
nunca me senti mulher
até que por outro, ontem
um certeiro pontapé

mesmo que homem inteiro
mulher me sinto sucinto
como total passageiro
em qualquer gênero minto.

Pierre Tenório

quarta-feira, 7 de maio de 2014

COPA DO MUNDO

Convoquei um entre todos
os 23 jogadores
pra dedicar um poema
e evitar outras dores

Como não tive resposta
apelei pros 22
nenhum deles me deu bola
segundo tempo depois

Parti pro time adversário
sem almejar mais vitórias
mantive-me arbitrário

Descobri que o coração
é um apito mudo
para qualquer seleção

Saí da arquibancada
com uma dor de cotovelo
o juiz filho da puta
me entregou cartão vermelho

Numa luta entre torcidas
logo fora do estádio
me senti tanto perdido
e me veio um presságio

Um vaso de sanitário
me atiraram à cabeça
disseram-me: Vá embora
e dos poemas esqueça

Fingi-me despercebido
e todo mundo sumiu
mesmo que zero a zero
quem perdeu foi o brasil.

Pierre Tenório


terça-feira, 6 de maio de 2014

ORIGAMI

não me acuses
de ser perigoso, rapaz
amasso as folhas
e mato o que me apraz

esfrego as costas
em muros rebocados
para ver se o sangue
atinge além das calçadas

(viajo pelo meio fio encarnado)

entro no quarto de alguma pensão
e a cor dos olhos
pinta de rio, evasão.

(seco as nascentes enquanto recolho os barquinhos)

entre a lua estampada no lençol
e as estrelas do céu
além de nuvens pesadas
paredes de papel.

Pierre Tenório

segunda-feira, 5 de maio de 2014

CAFÉ DA MANHÃ

Abri os olhos e
permaneci desacordado,
enlouquecido no inverno
embaixo das cobertas.
pingos de chuva, melodias.
Abri a janela e
permaneci deitado.
Disparei do cano
de um revólver,
pairando à luz do sol.
gatilho intacto,
mirei o vento e
acertei o calor
desfalecido entre
a neblina;
cabelos esvoaçantes.
Alimento das verdades
de mentira:
Estômago vazio
roncando em suspiros
preguiçosamente
delinquentes.
Desci as escadas e
alegre me dirigi
à cadeira vazia,
a tirei da mesa
em direção ao chão
distante
e
perdi a fome.

Pierre Tenório

domingo, 27 de abril de 2014

DIGESTÃO

ao escrever um poema,
delibero sensações
indescritíveis
num poema.
Penso que posso
desenhar inenarráveis,
a vida exposta de dentro
para fora.
A folha em branco
um caminho sem fim,
enquanto acaba
viro essa página mastigada.

Pierre Tenório

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Dos piores, sou pior que tudo de pior que existe de pior aconselhável, doce amável mostro
em tudo que faço monstro e sou um corpo em chamas no elevador, o pior de tudo e todos aqueles miseráveis ali sentados na calçada. Pior ainda, do que seria pior em tudo, sou usado como roupas de brechó, são as piores melhores ainda mais baratas no quintal querem invadir o meu quarto, socorro descartável, de uso momentâneo, buraco negro inferno astral inquietante, atrás da porta o amor queima no meu lixeiro de alumínio, assunto da semana, sou pior que a dor do parto, tão prático entorpecente escondido na varanda de casa, bastardo, recusado de infância e pra sempre de destino, abandonado de tão cão de rua perdido, forte e resistente de tão pior que escrever poemas na porta do banheiro público, pior dizer bom dia ao porteiro e não receber resposta alguma de bom dia senhor pior convencido sem prazo de validade, não consigo ler pensamentos e me recuso a ir em fonte de desejos, não tenho ninguém no vácuo da respiração. Puta quem sou eu me encontro na primeira pessoa narrativa deserta na orquestra, todos querem ver o sonho acordado. A felicidade é uma paz cheia de dinheiro. Uso e desuso plasticas de reforma da casa. Te amo no desamor das dores intermináveis, acaba que tudo aquilo é uma palhaçada sem sentido. Mergulho na piscina de três metros e meio e sobrevivo por lá. Massageio teus pés de otário em cima da mesa. Seres humanos fungos do planeta, sacio assim minha depreciação amável.

Pierre Tenório
A VERSÃO

Cantei
sua música
predileta
de uma forma
diferente.
Além de não
gostar,
mandou
uma indireta
silente.

Pierre Tenório
ÚLTIMO POEMA

a paixão escrita
em cartas coladas
nas paredes
do quarto, da sala,
do jardim,
durante a casa inteira
esperando alguém
que as lesse.

leitura silenciosa,
esqueço.
escrevo um manual gritado
de como se amar calado.

foram os móveis que restaram

Pierre Tenório

terça-feira, 22 de abril de 2014

amor
começa
com prova
conforme
a paz
desaprova
em forma
de saudade
a prova
é o enlace.

Pierre Tenório

sábado, 19 de abril de 2014

CARINHO

adoro
seu jeito
de me agredir.

Pierre Tenório

terça-feira, 15 de abril de 2014

à Joey

LUA DE SANGUE

Arranquei os olhos da face
mirei ao céu da madrugada
ele estava deserto.
Não havia sequer poeira
de estrelas.
As nuvens choviam
mar adentro,
onde nadavam sereias
cadentes.
Sobre as rochas
Arcanjos maquiados
abriam as portas
das cachoeiras.
Ao chão do quarto
a lua banhada de sangue
anuncia eternidade
das paixões solitárias.
O sol decidiu matá-la:
Eis o apocalipse!

Pierre Tenório

sábado, 12 de abril de 2014

GATA BORRALHEIRA

Fecho os olhos,
coração espanca
o peito indefeso
de saudade vã.
Estou viva encantada,
palpites mudos,
palpitações.
Sujei os móveis e
quebrei a prataria.
Do outro lado
da escadaria,
engraxei sapatos,
perdi gravatas
e deixei uma carta
anônima:
Não tenho esse amor
para dar hoje,
estou cansada
e já passa da meia noite.
Olhos do meu sorriso
cego e proibido,
aceita uma valsa
no porão?

Pierre Tenório
PESCARIA

Lancei o anzol,
morderam a isca.
Estou frito!

Pierre Tenório

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A LETRA DA VALSINHA É OUTRA

deixo as portas abertas
tão perto de ti.

O sonho me traz
a lembrança
e na porta te vejo
sorrir.

Quando abro os olhos
e tu não estais mais aqui.

Abro a janela e te vejo assim;
Fecho a porta e esqueço de ti.

Pierre Tenório

quarta-feira, 9 de abril de 2014

À MANHÃ

tão bonita
essa coisa de se abrir
assim comigo

enclausurando
as palavras num abrigo
em meu exílio
de expressões
raras estáticas;

bocas e caras
beijos e tapas.

sonho de valsa amarrotado
aos pés do guarda-roupas.

Pierre Tenório
SANATÓRIO

metáforas
pobres
de espírito
não conseguem
alimentar
sequer porcos
fantasiados
a mente
do doido
não mente, otário
suga, suga
conhecimento
e deixa tua alma
preta, prata
lembranças
descartáveis em
baladas de ouro
a verdade vale
mais do que
qualquer
migalha de
frango de macumba
assado
assim: faço
questão de
me orgulhar que
não recebo sequer
um salário
das mãos de
ladrões
jurídicos santos
vigários
comer ei
um coração
pra te mastigar
criatura
desalmada, causa
tristeza
pq não é
amada as vésperas
do batizado
envenenado
ceia de natal
pascoal sacrificada
nas bordas
da piscina de
maçãs
haja lavriado
para lavar
parábolas de
bolhas de sabão.

divagação: soube
que além de
promíscua máscara
de carnaval as vésperas
da paixão cristã
bumba meu boi
caridade deus
te perdoe
por se perder
fiquei sabendo
que a alegria
da despedida
causou chifres com
as cores da bandeira
gay nazista
toma um
presente de
presença,
represente com
alma mesmo que
a xerox saia
borrada, semear
"amor com amor
se paga"
apaga essa
porra do script
easy.

cena 2:
olha pra aquela
câmera,
a paisagem tá
verde, continua
falando da
vida dela,
que sou eu
cachorra
sobe no palco
do teatro
e dança igual
aquela outra
que coça o saco
de batatas e
nada cria alfaces
de mentira
roubou um
tigre no
supermercado na
esquina e
aprendeu a fumar
aos 14 anus
arrombado, me
deixa em paz
perseguição
de Cristo
menino Jesus
de Praga
ela partiu
rindo da diretora
de cinema
banguela de
bicicleta nas
ladeiras da
saudade, não
tenho mais
telefone, um
grande baseado
em fatos reais
fumaça, aprendizado
existe amor na
briga dos
universitários
vestibulandos
fecho a porta
e jogo as chaves
amanhã tô
de volta, Elvis
tá de mal humor.

Pierre Tenório

terça-feira, 8 de abril de 2014

DIAPASÃO HUMANO

odores
diretos
dormindo
safando
tá solto

pra chegar lá
440 quedas senoidais.

se dói?

Pierre Tenório

sexta-feira, 4 de abril de 2014

PROSTITUTA MUSICAL (PARTE II)

Basta ver um violão
Que por entre minhas pernas
Passa a ter um corrimão
De acordes e tantas merdas.

Notas de puto prazer
Teus dedos deslizam em mim
Não posso desafinar
Essa música sem fim.

Trombone de meter vara
Pandeiro pra dar na cara
Quero descer lá em baixo
Elétrico pra ver se encaixo.

Gemidos, gritos pianos
Contralto, tenor, soprano
Sei que não passa de horas
O que eu queria por anos.

Não posso ser amadora
Por opiniões contraditórias
Calada como John Cage
Sou música aleatória.

Pierre Tenório
Musiqualidade

Poesigrafia
Fotopoema
Topofonema
Fonestesia
Eterrimado
Criativimetrica
Pendriventura
Postaisaudade
Caixas de sono
amplifica dores
Renascital

Cartões de memória.

Pierre Tenório

quinta-feira, 3 de abril de 2014

SENHORA ATENDENTE

não faço planos
infinitos
nem olho cartas
no correio
após o sinal
deixo recado
com torpedo
branco e preto
não peço que
pagues contas
mas, não me deixes
sem créditos
porque eu te amo
tanto
que o teu protocolo
é
meu número
predileto.

Pierre Tenório
CHARADA SINCOPADA

alguém anda espremendo
aquelas nuvens estampadas

na folha do outono
man-ti-da pendurada

calada
não alada
é fada amargurada

a-prisionada
a-bandonada

no galho
chora a lágrima
no solo quente e seco
no solo do sertão
varinha de condão
quebrara maldição encantada
a
bençoada
a
pedrejada

a fruta cai e a folha
fica plantada
entre as fadas
no céu
com as luzes bem apagadas
observando ao chão
a fruta ali
alagada.

Pierre Tenório

sexta-feira, 28 de março de 2014

PROSTITUTA MUSICAL (PARTE I)

escrevo um bom poema
que estraga a minha vida
num curto espaço de tempo
abre a face da ferida

não contém rimas tão ricas
nem metros de entrelinhas
só mantém ansiedade
e um pouquinho de alegria

nem todo poeta é triste
ou assim pensa que pensa
até tu que não ouviste

minha palavra propensa
não é nada de tão válida
o meu corpo que compensa

és o meu vocabulário
minha fonte de extensão
meu profano escapulário

já que se mantém de longe
fica perto da saudade
que acena atrás dos montes

estraguei nosso soneto
já que não mantive a métrica
me entrego ao pesadelo

de não ter você por perto
em todos os meus momentos
fico assim sempre incerto

dentro dos meus pensamentos
te resgato no desejo
aproximo os sentimentos

quebro o teu braço no braço
como um jogo, uma aventura
se te pego muito bravo

te mato em minha ternura
te afago em meus abraços
minha rola fica dura

na solidão permaneço
alma chorosa serena
prometo que nunca esqueço

minha desilusão
se dilui no pensamento
dessa impossível paixão.

Pierre Tenório

quinta-feira, 27 de março de 2014

PROFECIA

Num fluxo corrosivo cotidiano de tudo
que adormece e acorda ao sol e lua,
janelas se despedem das paredes, e paredes
se dissolvem em tinta crua.
Maldita melodia que dispersa o que exprimo
entre os espinhos farpados nos arames
dos arranjos de flores conservadas inodoras,
labirinto em linha reta.
Ressalto o poeta endeusado, obviamente
encantado pela clausura do outro;
Único uníssono e perdido entre os espelhos
e miolos do cerebelo que vos revela.
Espojado ao chão em brasas, percebi o elo
entre os olhares. Deus devorava com ira o fruto
proibido, que apodrecido, aumentava Sua força cruel,
engolindo por inteiro, sugou toda vitalidade das raízes
da árvore central, gigante frondosa, estava apaixonado
pelo pecado, cego de olhos iluminados e fechados.
Entre Deus e o fruto, eu era adorno, serpentina
esvoaçante inibida, enfeitando e inflamando
a conclusão pré-carnavalesca dessa festa filosófica.
Deus e o Diabo são amantes, por isso o amor verdadeiro
é feio.

Pierre Tenório

quarta-feira, 26 de março de 2014

ANDROID

Costurando uma música
com retalhos de tua pele
sou o fone de ouvidos
que os zumbidos impede.

Num planeta imaginário
de cometas, asteroides
beijos, espermatozoides
teu corpo, meu relicário.

É o meio da história
e as mordidas nos mamilos
não me saem da memória.

Mas se a música for curta
ignoro os intervalos
e passo a ser tua puta.

Pierre Tenório

terça-feira, 25 de março de 2014

REMELA NOS OLHOS

I.
Hoje de manhã cedo
Piaget
me acordou os olhos
para o pesadelo
epistemológico
de acalmar o medo
dos sentimentos
através
do tempo.

II.
Há uma corrente
de ar entre nós,
é tão gigantesca
que até me sufoca,
me faz faltar voz
e ver cicatrizes
de
vampiros
onde passaram
pernilongos
barbeadores.

III.
Combustíveis
lacrimais
empurram sem pressa
esse eco
silencioso
que nos respira sorrisos
ciumentos e
afetuosos,
não me deixes ir
antes de
embora.

IV.
Embora os anos
não me deixem
persistir,
eu sempre volto
para sua mesa
no café da manhã.
Depois do embora
eu queira ir
pra onde você mora,
com muita calma,
até as lágrimas
secarem
antes da hora.

Pierre Tenório

segunda-feira, 24 de março de 2014

SIGNO NAS CORRENTES DE AR

minha insistência
fada
sobrevoando as quedas d'agua
de tantas saudades,
me vejo sorrindo
do peixe
procurando um novo
caminho
dentro do aquário.

Pierre Tenório

sábado, 22 de março de 2014

QUERIDOS AMIGOS

Em todas as ruas da cidade
no interior dos casebres
existem mais de mil célebres
amigos de verdade.

Dos mais distantes
aos agregados
estarão ao lado
em algum instante.

Os que vão embora para sempre
os que não querem saber da gente
até os que não falamos mais
e os que batemos de frente

Estarão em alguma hora
nos abraçando apertado
ou nos mandando ir embora.

Amizade é uma proposta indecente
que levamos pro resto da vida
mesmo quando se dá por perdida.

Pierre Tenório

quinta-feira, 20 de março de 2014

SELFIELD

Miniaturas de holofotes
elevam o ego dos otários
quem for curtido por vários
status: de fraco pra forte.

3x4, pornografia
em paisagens naturais
rostos artificiais
forçam falsa simpatia.

Sinto falta do passado
quando a pose para foto
era um gesto muito raro.

Hoje o que é revelado
é o lado oposto à verdade
invenção de realidade.

Pierre Tenório
SONETO DO ASSASSINATO

Toque de olho no olho
retocando o lápis de olho
piscada na cena do toque
tesão no toque se toque.

Navalha em carnes e ossos
decepando o ar que sossega
amando a lâmina cega
que reflete olhos nos olhos.

O corpo cortado em pedaços
os fatos ocupando espaço
no coração indiferente.

O sangue nas veias quebradas
escorrendo pelas calçadas
o crime de um amor doente.

Pierre Tenório
SEM UM TOSTÃO

cara de paisagem
observando
de olhos fechados
as nuvens
no chão do inferno,
estou chata, sou.

segundo o médico
preciso me prostituir
barato
em algum boteco
ou trio elétrico,
salada
pra porco.

anêmica
e sem materiais
sou bem matéria
baseada em
fatos reais.

greve de fones.

Pierre Tenório
PÉTALAS DE AMOR

O poeta me contou
que o amor é um botão
perfumado de carinho
espinho e sofreguidão.

Eu rei esperançoso
irei plantar no teu jardim
um roseiral de harmonias
e canções feitas pra mim.

Nossa vida perfumada
eu, você, a madrugada
e o doce sofrimento

Que em rosas despetaladas
se disfarça de buquê
pro dia do casamento.

Pierre Tenório

sábado, 15 de março de 2014

CLOVE MASALA

Procuro as palavras certas desde ontem
procuro as palavras certas, elas fogem de mim
desesperadas, sendo assim uso as erradas, não sei
dizer porquê, mas sinto elas erradas e distantes.
Uma carta, não sei se é uma carta, não sei
se é uma carta que deva ser enviada, só sei que
deve ser lida, pode fazer sentido
em algum lugar no universo.
Não sei se são lágrimas ou esperma.
A culpa é toda sua.
Esse cheiro bom me lembra tuas veias,
as veias do teu membro pulsando entre minhas
pernas na diagonal, tuas veias carinhosas.
O chão do quarto agora está limpo
pelos nossos pelos; até o banheiro.
Nossa extravagância bêbada esterilizou o chão
que agora é fumaça perfumada e limpo, brincadeira de criança.
Impressa nos lençóis esteve até uns dias
a insone perturbação do nosso anti amor.
Fumando o café da manhã, selamos nossa despedida
num silêncio fúnebre, todas as canções da noite passada
agora estão em carrosséis.
O correio alarma, é um postal seu.
Uma canção de ninar me leva ao pesadelo
da ausência, crio asas e chifres, voo ao inferno
e encontro deus por lá a passeio, vou ao inferno aqui sentado.
Deus estava lá de novo, dessa vez em pesadelo,
sem expressão, lendo esse cartão postal,
lendo essa carta cheia de palavras erradas,
dessa vez ele me entregou um cigarro enquanto fumava outro
(sempre que encontro deus
ele me dá presentes)
onde a fumaça era minha alma,
fumei minha alma aromática
clove masala até a ponta.
Acordei com a mesma expressão divina,
sensações de escrivaninha,
vomitei os lençóis de culpa.
A culpa é toda sua.
Minha merda estampada na cueca sinalizara o que fizemos,
dangerous,
passei um cheque em branco e te expulsei pra sempre
até semana que vem, quando seremos desconhecidos
novamente.
O chão estava sujo de cinzas e a unica coisa
que ficou foi o cheiro do incenso que acendi
enquanto trepávamos meias verdades, bagas de cigarro
e uma música que insistia em não tocar eram o cenário.
Acho que fizemos uma festa.
O incenso que rolava era contra inveja e olho gordo,
embora eu prefira clove masala
esta é a lembrança do nosso anti amor,
custa 1,50 na lojinha de macumba,
ficaria feliz se ganhasse uma caixinha
no meu aniversário, idade nova,
almas penadas e isqueiros vazios.

Pierre Tenório

sexta-feira, 14 de março de 2014

ODOR ANTIGO

A saudade regressa inutilmente
assim como um erro certeiro
que vem como pedra sobre pedra
vingar o silêncio como inteiro.

A lembrança que surge à luz do sol
é assim apagada pelas nuvens,
em gigantes sombras de cegueira
sobrevive o aroma do perfume.

Mas, não falo sobre tempo perdido
nem tampouco pedidos não atendidos
quando tudo que me toca é ventania.

Não costumo viver de olhar pra trás
vivo e respiro o que me apraz
onde tristeza cheira a poesia.

Pierre Tenório
RELACIONAMENTO ABERTO

genioso
é
gênio só

amarrar
para
ao morrer

desatar nós.

Pierre Tenório

quarta-feira, 12 de março de 2014

CARTOMANTE

-puxe uma carta.

az de espadas
degola a sorte
de
futuros prováveis
reinados em copas.
perder partidas
é
puxar guilhotinas,
sem ouro algum
e
levando paus.
na cartola
do ilusionista
mergulhe
ao caos.


Pierre Tenório

segunda-feira, 10 de março de 2014

com Ícaro Tenório

CANETA, PAPEL E SPRAY DE PIMENTA

cafuçus
playboys
coroas
ninfetos
poetas
desempregados
pintosas
políticos
evangélicos
maconheiros
nerds
sarados
safados
dotados
de programa
entendidos
discretos
assassinos
gordinhos
homofóbicos
ensinados
encubados
machistas
padres
2 em 1
total flex
ricos
pobres
pervertidos
ousados
divertidos
professores
fudidos

aqueles que te amam
e se enganam.

aqueles que tem um
avô de estimação.

aqueles que preferem
futebol.

aqueles que fodem
na insônia.

aqueles que mantém
segredo eterno.

aqueles que te roubam
sem afeto.

aqueles que te espancam
na quebrada.

aqueles que te deixam
arrombada.

aqueles que te ensinam
alguma coisa.

aqueles que só querem
aprender.

aqueles de corações
bandidos

e os que morrem antes
de você.

aqueles que cobram
muito caro.

aqueles que não valem
um centavo.

aqueles que só querem
um bom carro

e aqueles que preferem
um sapato.

aqueles que da miséria
te salvam.

e aqueles que te matam.

aqueles que só falam
em Jesus.

aqueles que te pregam
numa cruz.

aqueles metidos a
artistas.

e os que não deixam
sequer pistas.

aqueles que só querem
sexo e cia

os sem nexo e poesia.

aqueles do signo de aquário

aqueles de peixes.

aqueles universitários

e os que dizem:
"não me deixes"

dizem desde não sei quando,
que todos são iguais;
roubam sua paciência e
não passam de otários
ideais.
querem sempre ser melhor
do que os outros e
não percebem
que são os outros
dos outros

mulheres são gatos;
homens viram latas
de cerveja
e
caixas de sapato
com areia!

Pierre Tenório
EM QUEDA LIVRE

meu olho maduro vigia
à sombra dos galhos, os teus
verdes.

Pierre Tenório

sábado, 8 de março de 2014

08.03.2014

garotinhas geram garotinhas
que nem chegam a ser meninas
e já são mulheres.

guilhotinas decepam as cabeças
das barbies e fraudas descartáveis
absorvem todo o sangue.

minissaias e shortinhos
aquecem a frieza
masculina.

próteses de silicone
são cérebros injetados
que pensam que pensam.

femininas são tão delicadas
quanto homens
feministas.

o sonho de operar máquinas
realizou-se
nas academias.

cozinha agora é
campo de guerra
minado e abandonado.

Marias da Penha
estouram os miolos
de seus amores.

Dilmas Roussefs
hidratam a pele em
banheiras de petróleo.

Joanas d’Arcs
ateiam fogo em todos
os borguinhãos.

até as cores do arrebol
e as flores dos jardins
tornaram-se transexuais.

Pierre Tenório

sexta-feira, 7 de março de 2014

ESCURIDÃO

Desprende a pele dos ossos
queimando ao fogo maldito
escárnio aos livres prazeres
no inferno vive perdido

Maldita é a luz divina
por nada iluminar
palavras sãs, evangelhos
e ações assim por faltar

A vida sem esperanças
exalta tristeza infinda
é uma eterna aliança

Morrer é a esperança
escura e finda beleza
não há mais doce infortúnio
que abrigar profundezas.

Pierre Tenório

terça-feira, 4 de março de 2014

VESTIDO DE CINZAS

A quase duas semanas
passaram-se dez anos
em
algumas horas;
meio fora de órbita,
cruzei com algumas estrelas
queimadas pelo fogo
de fantasias
apagadas.
Me vesti
de cinza de cigarro
e invadi olhos alheios
nesse vento em que
flutuo,
era uma espécie
de cegueira,
reis e mendigos
na sacada do prédio
no bloco
dos mortos
vivos.
Carnaval não passava
de um cheiro que vinha
ao longe
pelas calçadas sem nenhum
ar.
Eu mudava de fantasia
a cada baforada
que me cegava deitado
no sofá da sala
esperando o bloco
nunca passar,
enquanto me sugavas
eu brincava e pulsava
lentamente em tuas veias;
vestida de cinza
eu era fumaça.
Hoje, lendo tuas cartas
sinto quedas de energia
quase
queimarem
o meu PC.
No mais,
qualquer palavra
seria pretexto
para mais um trago
e todo carnaval
seria
quarta-feira.

Pierre Tenório

sábado, 1 de março de 2014

ÁGUA VIVA

Submerso em todas as águas
respiro pensamentos inertes
transpiro afagos indecentes
escrevo palavras encantadas.

Afogado em teu corpo na cama
inspiro o hálito enquanto
beijo teus braços em pranto
de lágrimas em todas as águas.

Aquoso em câmera lenta
experimento tua doce fúria
acordes e dedos são cura
pra minha solidão nojenta.

Todas essências do mundo
perfumam o nosso ambiente
teu tempo é o tempo sem tempo
que lava a alma dormente.

Amor em águas profundas
submerso em todas as águas
anáguas de águas deságuam
só, saio com todas as dúvidas.

Pierre Tenório
FACE A FACE

abro o chat
fecho o chat
olho o espelho
penso e não digo
clico em teu nome
coisa chata
e você dorme
espero resposta
espero teu beijo
espero teu cheiro
espero teu jeito
digo o que esqueço
mudo o que lembro
sigo teus lábios
lambo teus dedos
publico um pretexto
e você curte
seguindo meu gesto
meu manifesto
meu calendário
meu vai e vem
digo oi
e você volta.

Pierre Tenório
BOMBA RELÓGIO

me comparo com o desleixo
a vida jogada fora
como uma bola de maçã melada
gatos brincando
roem as unhas infames
desprezo afagado pelo
pelo
amor de Deus
da América do sul
aos belos jardins desmascarados
sorriso da cara das mascaras
me envolvo no canto
dos recantos
choro as vezes
subo no ultimo andar
e bato asas ao chão
amando todas as paredes
pichadas
amando os vaga lumes ao pé
da porta
me sinto incomparável
a qualquer luz de sóis
acompanhados
me envolvo em braços
esvoaçantes
vou ao dentista
e volto sem sorriso

todos os dias
alegrias e fotos de facebook
estão guardados
dentro da minha boca
que ri do sapo
e dos sais de banho

exploro explosões
e amo teus ponteiros.

Pierre Tenório