terça-feira, 13 de junho de 2017

peço desculpas por não ser
um poeta como você come

sou pecador acíduo

odeio quando a fumaça passa
despercebida

amo os meus ódios
cheios de olhos

fechados

abro as cortinas da razão
e a paisagem não é bonita

mentiras são nãos
de óculos quebrados

e bocas amordaçadas

as fachadas dos lugares
nos condenam a mesmice

das verdades esfarrapadas;

mergulho meu corpo cego e
a terra entre os meus dedos

colorem o universo
de um rio que vive sozinho.

distante cavo profundo
pra ver se encontro teu mundo.

onde finalmente eu possa me perder em paz

Pierre Tenório

terça-feira, 6 de junho de 2017

Mesmo antes de dormir
eu já sabia
que não acordaria

com saudades de nada

fui esquecendo
letra por letra do que não escrevi

fui deixando a contagem
das moedas
por minha conta

fui e não precisei voltar

visitei outros capítulos
sem decorar o que estava escrito
sobre o vento.

Comprei um  e vinte e cinco
de pães franceses,

tá muito caro o pau Brasil
tá muito raro o pão

quase irreal.

Sonhei que os índios
queimavam os ternos

e a ternura reinou dentro do sono
tranquila
em vigília;

mataram o presidente
mataram quem representava o presidente
mataram quem representava o representante do presidente.

Acordei com saudades
e não tenho tempo para matar
minha fome.

Pierre Tenório