domingo, 30 de dezembro de 2018

perdi a conta
do quanto te
escrevo

sempre com cuidado
para que nunca
entendas.

(Pierre Tenório)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

TRANSEUNTE

comprei
uma boceta
de borracha
para te
seduzir
feito raxa
a grana
não deu
para peitos
inda assim
não trabalho
de graça
eu sou
quem você
procura
quando sai
sozinho
pelas ruas
meu amor
é um faz
de conta
depósitos
digitais
compras.

(Pierre Tenório)


















quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

este poema
é pra minha ex

um presente
no passado

minha ex não é minha
nunca foi

mesmo antes
de perder a vez

eu dizia que amava
e não era de mentira

e mesmo que fosse
o amor é bom
mesmo de mentira

eu não quero voltar
só quis deixar essa mensagem
tatuada no papel

peço a compreensão
do meu namorado
este poema também
é teu, amor

pra quando você
se transformar
no meu ex

o futuro é assim.

(Pierre Tenório)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

CA$HÊ

olho o saldo
congelado

nada consta
pela conta

vendo a vista
me mascaro

a vergonha
desaponta

quando aparece
trabalho

pagam menos
do que valho

faço tudo
me entrego

de flor em flor
despetalo

fardo em pétalas
carrego

canto, declamo
me calo

confesso
não sou barato

conversando
solto o verbo

não sou bom
negociante

tô mais pra lá
que amante

receber
só quando rezo

o calor
não me excita

e rio mesmo
quando o clima

fica abaixo
abaixo de zero.

(Pierre Tenório)
AS VEZES

a gente
precisa
de abraço
romper
distâncias
desatar
laços
quebrar
silêncios
gritar
calado
tocar
quem ama
em gestos
vastos.

(Pierre Tenório)

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

SERENO

quando algo perde
o significado

não se desespere
sinta o contrário

olhe para o céu
e faça um pedido

não espere nada
tudo está perdido.

(Pierre Tenório)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

A FOME DO SOL

o sol acordou comigo
mostrando algo bonito

que distante parecia
perto do pé do ouvido

aquebrantando o silêncio
veio pra lumiar

sua voz tão ardente
tudo sabia falar

tocando o pensamento
rememorando momentos

disse que estava cansado
da escuridão do espaço

e que queria meu corpo
pra incinerar com abraços

até fazer parte dele
e não desaparecesse.


(Pierre Tenório)





domingo, 23 de dezembro de 2018

MOLOTOV

quando li a frase satan te ama na camiseta da cantora ruim
relevei as agressões aos meus ouvidos na festa só tinha
gente chata mandando a gente morrer de mãos dadas a bebida
tão cara que não consegui mais de três coquetéis quentes
e o calor só aumentava quando me abraçavam forte com aqueles
perfumes horrorosos a comida estragada que ninguém comia e
todo mundo se deliciando com o nariz entupido de cocaína
e vestidos longos brancos acompanhados de camisas de mangas
compridas brancas pra lá e pra cá bombardeando uns aos outros
antes da meia noite procurei uma saída

(Pierre Tenório)





sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

TRAVESSIA

você acende a ponta
do palito de fósforo

e antes que ele queime
a cabeça dos dedos

você aponta à mim
e antes que a chama

queime os meus cabelos
você me chama e canta

nossa última música
é a primeira dança

enquanto queimo só
você coloca os fones

admirando o fogo
escreve nossos nomes

enquanto queimava eu sorria;
bjork cantando travessia.

(Pierre Tenório)







quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

se fosse sua
eu fugiria

ah, fugiria
nas correntezas

das tuas veias
eu nadaria

e as tristezas
não mais ilesas

alegraria
nada daria

apenas nua
nua e crua

confessaria
te sorriria

feito a lua
como agulha

anestesia.

(Pierre Tenório)







quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

HELENA

helena
queria
poemas

então
fugiu
de casa

ao invés
do meu
coração

helena
comeu
a ração

part
indo-
me

em tom de gata
lambendo pata
por pata.

(Pierre Tenório)

sábado, 15 de dezembro de 2018

peço que fiques
só mais um pouco

de cafeína
não fará mal

sua xícara
favorita

está bem limpa
lá no quintal

os passarinhos
cantam pra ti.

(Pierre Tenório)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

ASSINATURA

quando o amor
chegar ao fim

o poema te dirá:
sim

no mesmo altar
aos pés da página

você será
amaldiçoada

na alegria
de estar salva

pelo desvelo
de uma caneta;

enquanto as almas pesarem
os corpos levitarão

sobre outros eus idiotas
nos papeis diamante.

{Pierre Tenório}












quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

pode entender errado;
é espirro, não escarro.

(Pierre Tenório)
SAÍDA

sonho viver
correndo

descalço
em labirintos

gigantes
os desertos

forrados
com espinhos

o nunca está
tão perto

a escuridão
dentro

não penso
nas saídas

perdido
e descansado

te amando
atrasado.

[Pierre Tenório]





quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

QUEIMA DE FOGOS

na praia de nudismo
onde trocou-se o ano
todxs vestiam branco.

(Pierre Tenório)
COMPOSIÇÃO

todas as músicas
podem ser ruins

mas, elas são minhas
e fiz para você

sem mim

por isso não prestam
por isso não vendem

ninguém ouve
ninguém mais sente

você só gosta
de você

e goza

fodam-se
os poemas;

nossa música
não presta

somos nós.

(Pierre Tenório)
venho conquistando pessoas que me odeiam
por incrível que pareço elas começam fazendo
carinho na minha cabeça e descendo pelas costas
depois baixam a cueca e o nível da conversa
amam uma possível coragem que lhes falta de ser
ou parecer o que acham e criam sobre outrem
ainda com certezas e muita subjetividade
fingem bem amar o que nunca ousaram
sentir, como respirar um ser humano
se você não respeita uma obra de arte
como tudo em questão
que se escreve pra reconhecer-se em algures
tenho colhido palavras afora
dividido entre pôr do sol as coisas em prática
ou ser algo deslumbrante mente apagada aos poucos
desmemoriada que se diga também
não tenho usado metade dessas palavras

(um tanto isso, um tanto iça)
subvoante

(Pierre Tenório)


1 minuto

Uma andorinha só não faz verão
Pra sobreviver nesse mundo chei de ladrão
Um minuto é muito tempo quando se cala
Essa fase conturbada não se sabe quando vai passar
Vou pensar, já passou
Se passou, se fodeu

quer saber onde é que você se meteu?

vivendo perdida nesse planeta brasil

presidente da revolta

quase a puta que pariu /

trabalho pra caralho
Não me sobra um centavo

Cada baga que eu fumo
Vale mais que um soldado

da policia da milícia

da verdade fictícia

do cinema da novela

de quem mata eu ou ela

na esquina, na chacina
cocaína na menina

heroína toda rima

pro mundo que nos ensina

nos estupra, tortura,

camufla, aluga
Não quero teu físico
Fumo natura

no meio da rua

não sou tua puta, desponta

desponha

não sou tua bixa, te lixa

te mata, te bruxa, te broxa

Caralho de bosta
Seus Macho de bosta

Karai tu me broxa

bolsonaro broxa

não encosta, não encosta

















2019

que próstatas
se prostrem

diante do
meu toque;

distantes
do meu passo

engulam
o próprio escarro.

(Pierre Tenório)











que posta?
que posta, bosta?
que portas bostas postam?
que bostas são impostas?
quais são as impropostas?
propostas idiotas?
quais próstatas se prostram?
o que isto importa?
o que tu imposta?

posta.
bosta!

(Pierre Tenório)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

NOSTALGIA

primeiro digo
que não sinto
saudade e não irei
só suficiente para
alimentar a lembrança
da ultima vez que
te vi e me deu
vontade de entrar
na parede e amo
tanto imaginar
tudo em particular
quando as rimas todas
eram ar
e os nossos pulmões
viviam vazios
você cantando por trás
da minha quase voz
assim mesmo pesado
também desafinado era
a coisa mais bonita
que existia fora
de órbita,

e ainda

eu tentando chegar
enquanto você debulhava
todos os tons da música
errada na hora
exata das micro
fonias tuas nuas
vozes, enquanto eu ria
dentro do esconderijo
eu olhava pra tu
olhando pra mim
devorando
minhas mãos nos cabelos

na verdade, gosto mais de lembrar
das coisas que você nunca fez comigo.

assim existimos mais

(Pierre Tenório)



quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

você conversa com um poema
e esquece os problemas.
depois tem aula
e de vez em quando vem
declamar-se
diz que vai pra são paulo
a procura de amor
trabalho
e sorte
diz que lá tem tudo
que preciso

eu te digo:
quando precisar
ligue pra mim
e nada vai adiantar

o que vais encontrar
será férias.

(Pierre Tenório)

na laje com Roberto poeta

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

CEGUEIRA

houve um tempo
em que procurei
cédulas pelo chão

por nunca ter visto poemas
brotarem com paixão;

hoje o tempo é
pra se lavar os pés
de sangue pelos chãos

o mesmo chão que morremos
nos sujamos com as mãos;

não seja mais uma morte
fazendo o papel da sorte

ávida sai de cena

e que todo problema
se transborde em poemas;

todo dia nasce um poeta
afinal de contas.

(Pierre Tenório)

terça-feira, 27 de novembro de 2018

CAVALO MARINHO

imagine o mar
desaguando
numa poça
de lama

o som
saindo
da concha

pulsando
letras
profanas

a quem
tu pensas
que engana?

se quando
feres
relincha

você
só vale
o que
ama.

(Pierre Tenório)

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Você não precisa
dizer
o que devemos
fazer
por qual caminho
seguir
pra onde vamos
partir

quer mesmo um conselho
moral?
vá pela via anal.

(Pierre Tenório)

domingo, 25 de novembro de 2018

a cadeira não existe mais, quebrou-se
foi despedaçando
o assento se desfez
as linhas se desentrelaçaram
fios de plástico
amor pra sempre
ultra raios
da cadeira que se desfaz
cansada de estar sentada
o tempo inteiro

a foto
que existe
entre os dedos, um cigarrinho
uma lembrança
suspiros
que não existem mais
quebraram-se
e habitam aqui, nos meus seios
em silêncio estou só isto
transitando entre feitiços.

Pierre Tenório

domingo, 11 de novembro de 2018

de mim arranquei
uma parte
o presente
não a metade

mas, quase tudo.

pior que dente
ou que cabelo
cortei o tempo
matei os beijos

com os próprios dedos.

tirei primeiro
disto o medo
de arrancar-te

depois não saber o que fazer
e é isso o que quero: não saber
o que fazer.

[pierre tenório]

"se você pensa
que meu coração
é de papel"

por favor, rasgue-o.

{pierre tenório}
lembro como ontem
o dia que fugi do armário
senti vergonha do meu pai
não o contrário

ele disse que
preferia morrer
do que ter um filho
como eu

pois bem, senhor
ele morreu.

[pierre tenório]
minhas mãos estão sujas
de esmalte
eles querem continuar pintando
uns aos outros, dedos
e as paredes de batom
borrando meus dentes
destroçados lábios
eu juro que não te amo
mas, as unhas que rabiscam o rosto
retiram máscaras
e demônios

escolho outra cor


[pierre tenório]

terça-feira, 6 de novembro de 2018

PICADURA MILITAR

sem medo da morte;
saco minha arma
e você dispara.



(Pierre Tenório)
passei anos
fugindo do óbvio

e hoje descubro
que falhei

em todos.

(Pierre Tenório)
cuidado! alta tensão;
baixo tesão.






[tenório]

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Há distância
entre os lugares
e é pouca
o rio, riso
as margens podres de vazio
o que é ouvido e dito
o que é orelha e boca
por mais que estejamos
mergulhados na cadeira do outro
lado da mesa, são os braços
que afagam o si
onde mãos não tem papel
que as disfarce
exalam ardor além
das retinas
entre um afago
e o afasto.
Manifesto lágrimas correntes
motivos banais para amá-lo

Coisa de pulga
atrás do cachorro
inteiro.

(Pierre Tenório)

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

posso deduzir
quando as lágrimas
de alguém
são de verdade

ou decidir
se elas são.

posso dessaber
do complexo
tremor
que envolve a alma

o diluir
coração.

do fraquejar da voz


sábado, 13 de outubro de 2018

BEIÇO

Uso bem as palavras da tua língua
pra entender o meu próprio dialeto

Me refresco em mergulhos nos teus olhos
mesmo quando tudo parece deserto

Tua fala que distante me escuta
paralisa no instante que o leio

Já não sinto o poder do eu sozinho
só me entrego à esses sentimentos ledos

Minhas pernas passeando por tuas pernas
mesmo que por diferentes caminhos

A pelugem afagando os pensamentos
a miragem despedaçada em silêncio

Momentos que nunca serão vividos
mas, para sempre ficarão descritos.

(Pierre Tenório)






quinta-feira, 11 de outubro de 2018

todo mundo sabeee
que quando eu vou embora
seu coração
não é só meu
e essa certeza implora
pra que eu seja burro
por nós dois
só que eu começo agora a perceber
esse furacão
que devora tudo e come
o horizonte
mesmo sem colher
mas a mulher
que amei até ontem
eu não sei mais
eu não sei mais quem é
eu não sei quem é

Antonio B

terça-feira, 9 de outubro de 2018

não tens um belo sorriso
nem mentiras convincentes

pecados envolvem a língua
escovas alisam os dentes

e os cabelos

janelas pra sempre abertas
em dias chuva

encontros subtendidos
em noites chave

tudo me face
nada me fales

Pierre Tenório


domingo, 30 de setembro de 2018

Não tenho um real no bolso da calça suja arremessada ao chão perto dos livros, o ventilador gira lentamente e não me lembro.
Só queria chegar até você
É domingo e sozinha como nos outros dias desmancho as bagas e se te amo distante sopro algumas palavras.
Passeando pela casa lembro que outubro é quase amanhã
Ontem eu quase te vi

Pierre Tenório

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

BRUXARIA

quero ficar perto dele
arrancar fios de cabelo dele
amo o roçar da pele
cheirar do vento à epiderme

quero tudo dele amá-lo
chupar todo como falo
pra depois chutar pro lado

como pó, virado, alado.

Não basta ficar viciado
ter o homem como um diabo

perfumes esvaindo pela roupa
e a mãe gritando: "pra casa, tô rouca."

visto-me do último poema que renasce das minhas pernas e tuas mãos que não acordam nunca, permanecem inúteis,

(Pierre Tenório)

Escuto, não pauso
me paro, derramo
no antes, depois
em quando éramos manos

Me ilustro em poemas
ilustres inúteis



sexta-feira, 31 de agosto de 2018

O peixe e o touro

Há poeira
e chuva

Nesta contra
aliança

O peixe se dá na pesca
O touro na dança amansa

O touro vive afogado
O peixe morre na lança.

Eu ainda não sei como terminar este poema

(Pierre Tenório)

terça-feira, 28 de agosto de 2018

POEIRA

longas horas de escuta
os teus olhos desprovidos
rente aos meus desprevenidos
e as demoras foram curtas

vida que parece aquilo
mas, com muita calmaria
há lugar pra bicho grilo
cigarras em cantorias

uma nuvem de fogueira
luz ardendo em nosso corpo
o dia amanhecendo
você partindo de novo

eu bicho besta chorando
pedindo pra tu ficar
tu repetindo meu choro
mentindo que vai voltar.

(Pierre Tenório)

domingo, 26 de agosto de 2018

fez carinho
ao travesseiro

recebeu em troca
beijos

de cinema.

desligou o computador
e dormiu sem pensamentos

nem sonho
nem pesadelo

só poemas.

acordou molhada
e foi trabalhar

serviu as mesas
sem descansar

na mesma hora, exasperada

abriu a porta
de casa

e entregou-se ao mesmo
nada.

a música no pensamento era a única
outra

(Pierre Tenório)

Beija flores
sobre meu colchão
O vazio da rua sem saída
A pedra presa no corpo
de outra pedra
A mão tocando as costas
como Deus a sua obra

Ansia de comer tijolos
um sobre o outro, feito casa
A asa fincada na vértebra
o corpo despido de calma
Meu peso suportando o desprezo
desliza como semente
O  reconhecimento do amor
engolido pela saliva.
Tudo escorre

(Pierre Tenório)

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Amor da gota

disseram que ando triste
à procura dos teus olhos

consigo ver-te em silêncio
lembrando tudo que posso

mas nada me faz feliz
como o olho do teu cu

que mesmo sendo lembrança
hei de levar como herança

teu corpo ao meu corpo nu.

queria bem te escrever algo profundo,
talvez impossível ou criar um mundo;
mas só posso ler teu riso de mim
teus cabelos desbotados da memória

(Pierre Tenório)

Uma saudade que não sei
o poema definitivo  quase escrito
a palavra sem sílabas
a sílaba sem par
a letra desenhada pela mão
perto da ideia do não
sei

O poema termina quando desço
do ônibus e não te encontro
no meus recomeços
mandei cartas em aberto
e quando não esperava mais nada
você não me deu mais
nada

O  poema não termina
como a gente.

(Pierre Tenório)

sábado, 11 de agosto de 2018

Co-putaria

- Qual sua contribuição para esse trabalho?
- Trepar com(o) otário.






                                        
Pierre Tenório

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

A verdade é que não gosto que me olhem muito.
Não gosto que me olhem.
Na verdade, eu não gosto quando ficam me olhando.
E sabe qual é a mentira?
Minha verdade fictícia.
Eu não gosto que me olhem, mundo.
Não gosto mundo que me olhem mudo.
Não quero que fiquem me olhando com esses olhos mau olhados.
E nem ousem falar nada, melhor que fure os olhos.
E os abra.
Mas não me leia, pois não sou um poema público.
Não me olhem como se eu fosse surdo.
Estou me odiando e amando o espelho
estou contemplando os meus olhos vermelhos.
Pareço morto, mas
só estou
um tanto absorto.              (Pierre Tenório)

sábado, 4 de agosto de 2018

Risco

Escrevo coração
por cima de coração
E te amei pra sempre
mesmo antes de tocar a caneta
ou apertar o play, é,
eu te amei
Melodias cravadas
pela ventania da tristeza
onde as doces harmonias
inexatas nos constrangem
e dissipam todo medo
dia a dia
Linha por linha do corte
o brilho que nos revestiu
e reveste a não sorte
O silencio escuro
do quadrilátero
o não sentimento de solidão.
Beberei minhas lágrimas
rasuradas.
Tento enfiar a linha
na agulha
o passado não presenteia
corações
não há sangue pelo chão
não tem mais fim
E nas linhas de escrever
teu ar respira em mim.

Escrevo coração
por cima de coração
E te amei pra sempre
mesmo antes de tocar a caneta
ou apertar o play, sim, querido
eu te amei.
Tento enfiar a linha
na agulha, mas, não enxergo
a direção e minhas mãos
não me respondem.
Deito-me em teu leito
e desforro a cama
sujo os lençóis
quebro os cds
rasgo as roupas
aumento o som
bebo a última gota
do que me resta
do meu sangue
uso todo teu perfume;
o passado não presenteia
corações
e terei que arrumar tudo
outra uma vez.

No silêncio obscuro
das nossas tristezas,
sempre estivemos mortos.

Que tua coragem
me abrace.

(Pierre Tenório)


terça-feira, 31 de julho de 2018

PÉROLA

Amo tantos
que nem conto

em prosa
me leio
em sono

Se não voltam
melhor ainda;
pois não tenho

recaídas

As pessoas vão destruindo
seus sonhos
e você os das ostras
pessoas.

Pierre Tenório

domingo, 29 de julho de 2018

O caderno parece bonito.
Você sempre parece
(apesar deu estar com raiva de você)
e me confunde, mas logo passa
Ela parece a chuva quando para
parada em minha frente
molhada ainda
que nada
O que já eu
não vejo
em mim
Até parece, a solidão
do carro de som,
o bar quando ainda fechado,
a roda de coco aberta
e alguém pisando no meu pé,
e segurando meu pé,
não aguento
tanta zuada
Os olhos olhados demais
para saber onde está você não rexiste em riscar as palavras

(Pierre Tenório)

quinta-feira, 21 de junho de 2018

nunca decorei as fases
da lua
apelei por lantejoulas
sobre minha face
imprópria e nua
o sorriso crescente
do passado
minguante às retinas
novamente
tudo que esteve no que vi
renasce no que permanece em mim.

Pierre Tenório

sábado, 16 de junho de 2018

o coração parou
para ouvir melhor
os passos de alguém

indo embora


deixando o barulho
ensurdecedor
de poemas mudos

pulsando
amor.

(Pierre Tenório)









quinta-feira, 14 de junho de 2018

Me arrasto pela página
o verbo to be agarra-se ao pé
das cadeiras
Os banhos clamam que a pele
se aproxime
cada corpo em cada gota
do chuveiro
uma por uma
e todas de idêntico toque
Esvazio-me de espelho
e os espelhos me devoram
por trás
Levando embora
o isqueiro

Pierre Tenório

sábado, 9 de junho de 2018

tu podes
embora meu corpo te
clame tua presença
e nem Jesus és tu
distante, marcado por
um parágrafo de facebook
ou sob uma história qualquer

foi ele teu corpo
que me matou
mais uma vez
destroço com
pesadelos de tudo
um pouco e milagres

eu não te amo
e te quero mais
por onde estou perdida
entre notas
musicais onde
estou?

sábado, 2 de junho de 2018

estou sangrando, mãe
sinto teu espírito sangrar também
desde quando morri ao sair das tuas
pernas fechadas para mim;

acontece que quando foste
condenei-me a ir-se de todos
ao redor de todos
a chuva pairou sobre mim;

não há desertos por aqui
a primeira gota de lágrima
derramou-se junto a espera
lânguida de tua não volta para mim;

ontem encontrei meu primeiro amor
e novamente ele se foi
perdidamente como me irei
a procura de mim.

Pierre Tenório



sexta-feira, 1 de junho de 2018

pensei que fosse adulto
aceitar idas embora

penso que seja humano
amar todo mundo afora.

(Pierre Tenório)

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Suportaria
a leveza
e o asco
de todo teu
peso de pena
e laço

Você
segurando
os lemas
poemas
do nosso
acaso

Pierre Tenório

terça-feira, 29 de maio de 2018

em seguida
única
juntou-se aos mendigos
e leprosos da praia
que as viram passar
esperando o táxi

tudo acabou
de encontrá-la
os alimentos escorreram
como saliva e
nada livra deuses
de nos matarem

em forma de objeto
tudo nos olha
e desce pela
garganta

fogo inverno saliva
poema
enigma

Pierre Tenório

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Cristina pensou
que todo mundo que encontrava
era o amor da sua vida

dispensou
todos os homens e mulheres
que atravessaram seu caminho

deixou todos eles
chuparem o seu pau

Rômulo queimou seu bigode com o isqueiro
quando acendeu o ultimo cigarro
do universo entre

a mão e a boca

os dois tem tudo em comum:
a displicência nos olhos
a falta de grana

o amor
e o excesso de amor

a falta que um faz
e a falta que o outro não faz

estarem vivos
estarem mortos.

A única coisa que os diferencia
e distancia

é que um usa telefone
e a outra não.

Pierre Tenório


sábado, 12 de maio de 2018

meu amor
por ti
é

meu, amor
e eu te dou
todos os dias

mesmo sem
te conhecer
e nem precisa

o que tenho
pra ganhar
ninguém avisa

te perder
sem ter que ter
me realiza

Pierre Tenório

segunda-feira, 7 de maio de 2018



não desenhei os poemas
que perseguem meu passo
a passo
guardei guardanapos
sujos de esboços
declarações finas
em borras de café
me mantiveram acordado
a realidade mais uma vez
não bate na minha face
nenhuma resposta
nenhuma pergunta
uma frase que diz
outra
outro dia
que se volta
a flor
o raio de luz
e nego-me
noite branda
escrever detalhes à lua.

Pierre Tenório





terça-feira, 1 de maio de 2018

lógica
de origami
esquema
ponta a ponta
do papel
nos lábios
dígitos
poucas dobras
e o cheiro
de crime
na folha

telas
sobre telas
apagam tintas
disparam
levas
de paisagens
ante
olhos
sangue
verso
adentro

Pierre Tenório

sábado, 28 de abril de 2018

dessa vez fui hospedado num hotel de quarto vago
letras nas paredes esboçavam algodão doce
camas, eram três camas com lençóis esfarrapados
eu pisei o chão do espaço sem querer deixar pedaços

tive que ficar ali por mais de uma semana
nem para o papel me entreguei para um papel

a escrivaninha se compôs ajoelhada
ao pé da chama minhas pernas deslizaram
e pelo teto estrelado em formato de balão o chiclete explodiu dentro do bolso do short

procurei a janela de saída

me perdi nos corredores de um bosque
onde as árvores despidas clamam máscaras

esqueci o nome no caderno
costurei minha boca com as linhas
na promessa de gritar rasgando os lábios

e entre as curvas dos planetas
fluir feito gametas

sangram.

Pierre Tenório





terça-feira, 17 de abril de 2018

péssima atriz

sonhei que o caminhão do faustão
estacionou na minha horta e passou por cima
de alguns ramos recém plantados;

a casa própria ficou parada em frente
da casa onde moro
e eu mandei-os embora

guardei a foto da porta
e fechei os poros da face

fiz uma careta na frente do espelho
e todo mundo me entendeu

finalmente choquei os ovos
e daqui a pouco beberei sangue
colherei as frutas verdes

para saciar a fome
dos poetas
sem fome

e a sede
dos poetas
sem nome

à zelar
assinar;

o olhar é uma ferramenta
que nos persegue
e difere.

mudo de ideia



Pierre Tenório




quinta-feira, 12 de abril de 2018

tp

tapa tipo
topa tapo
tupa tupi
tepi tipe
topi

tenorio pierre
trabalhador partido
trova poema
trava problema


quarta-feira, 11 de abril de 2018

o sol se põe
queimado e
por debaixo
todas as cicatrizes
declamam sem
flâmulas
diante raios

ainda bem
que o poema
não incita a cena
que excita
os mastros
quebrados
sobre plantações;

onde as mãos limpas de terra
declaram amor pela guerra.

Pierre Tenório

VAI

não é de costume, mas, ele correu.
não sabe a verdade, mentira ou identidade;
se mostra valente, tão inconsequente, vadio,
vulgar.

não faz de conta, nem se apronta
pra aprontar, afronta;
conta mais nãos do que sinos na agenda
do celular, alarmes não o amedrontam.

ele se esvai dentre rios vazios;
areia, poeira e espaço.
garfos e facas o cortam e furam,
o amor não o cura.

ele me esconde segredos revelados
ao mundo pequeno das fotos;
expõe suas próprias fraquezas
em mesas sem nenhuma cadeira.

Pierre Tenório

quarta-feira, 4 de abril de 2018

nuvens de algodão

confundem

palavras

não contadas
dispersam

fumaça

com as mãos

ultra
passam

contra
toques

de condão

fotos não
reveladas

velam

Pierre Tenório

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Pela janela

encontrei um poema
daqueles
que se guarda
na escrivaninha
e ele nunca atinge
o fundo da gaveta

beijo-te os pés
para abrir os caminhos
do verso dos versos

poema discreto

como quando
me declamas
cartas
pelo pensamento

erro a ortografia
quando me deleito
sobre o corpo
de tu, poema

e confundo
minha língua
com teus outros
idiomas

te domino e
você me flui

como um poeta
maldito, dentro
de um poema irretocável.

Pierre Tenório

segunda-feira, 26 de março de 2018

Os sintomas dos teus dedos
apontam toques ledos
sobre as pontas dos meus dedos

As linhas de tuas veias
deságuam como teias
na hipoderme das minhas veias

Saborosos os pentelhos
a espessura dos cabelos
na textura que me espelho

Tua boca como ceia
me entrelaça feito leiga
nas linguagens que anseias

Meu silêncio de arvoredo
decodifica segredos
gritando pra todo medo:

-A distância como beijo
saliva e liga os desejos.

Pierre Tenório

sábado, 17 de março de 2018

As árvores dançam
sem artigo feminino
Árvores dançam.

(tenório pierre)

quinta-feira, 15 de março de 2018

descumpro os contratos
excluo contatos

você me odiando hiato
presente comum, leve fardo

distante pra outros olfatos

Comum

Ela escreve na loucura
da inocente amargura



quarta-feira, 14 de março de 2018

por um piscar pensei
por um mudar de página pensei de novo
que o garoto estava a escrever um poema na página do seu caderno de folha reciclável bem na minha frente
quase diante da má lida dos meus olhos que não decifraram tal código no auditório em singular firmeza no deslizar do cometa sobre o chão do braço da carteira riscada onde peixes saúdam a escuridão com suas barbatanas cor de córneas lentamente
eu era a única pessoa que pensava em ler aquilo em poema que não se escrevia por aquela mão
O braço da cadeira possui linhas aéreas venosas
meu cabelo espera

e as canetas não ultrapassam o repouso das minhas unhas enquanto dançam a espera da caneta entre os dedos enquanto morrem essas vivências

Pierre Tenório

maluvido

quase não reparei que a vida é contínua e por isso ainda acordo embriagado nobremente sobre o que os desejos afagam por debaixo dos lençóis mansos felinos. Percebemos a necessidade do ponto a mirar para morder e sugar condicionado livre ao beijo com sabor de queijo qualho o leite na garganta prestes a descer, soo suo sou lamento falho seco séco feito galho caio deixo
o silêncio mais que a pausa causa falsa sensação de outro som num sublime desafino para a leveza dos mau ouvidos

segunda-feira, 12 de março de 2018

esses dias conheci um artista
que fazia shows de até dez horas
com muito gás

as pessoas ficavam cansadas
no entanto paralisadas

mas nada era para elas

as horas passavam
e ele não tinha culpa

apenas sentimentos
para vender

ele ganhou muito dinheiro
e tudo fez sentido

hoje ele não faz mais shows
de dez horas

uma hora ele morre

quarta-feira, 7 de março de 2018

matemática

nunca serei capaz de ser amada;

a cesta da bicicleta pede flores
de presente
pedalo para trás enquanto assisto
as propagandas

é mais fácil dar uma entrevista
que ouvir o de repente acontecendo
gente sempre espera muito
e no fim, acaba se contentando

com o mínimo dos múltiplos
não pensei que amar fosse
tão comum

falo nisso todos os dias
peguei carrapatos com meu cachorro

a cabeça está cheia de ideias

Pierre Tenório




segunda-feira, 5 de março de 2018

leio ana cristina e
subtraio meu marido
da lista de contatos
sincronizada
nossa mente
desenvolve pretextos
para nunca mais
nos vermos

enquanto isso
a platéia espera
a hora da vaia

Pierre tenório

sábado, 3 de março de 2018

fico sempre apaixonado

agarrado ao papel
de bobo

me amasso ao
poema

rasgado

namoro sentado
debaixo da sombra

A folha cai e
a árvore cresce

enquanto isso

(Pierre Tenório)

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

ando ocupando os meus espaços
públicos e pubianos
navegando pelo sangue
ainda não derramado
permeando entre
a positividade e o convívio
desenterrando a poeira
dos corpos imóveis
entrando
pareço assustador
há tanto pra ocultar
que desisto
e como as plantas
silencio em terra firme.

Pierre Tenório

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Encimento janelas enquanto dormes
e me procuro nos tijolos

estou entre um espaço e outro
acinzentado
onde nem o sol em peixes
é capaz de iluminar

Não ouço
mas, minhas orelhas continuam em pé

a música me engana
e a poesia me engana
os objetos me enganam
e as pessoas também

você para quem escrevo
não consegue nem acordar.

há imensidões no reflexo escuro

Pierre Tenório





sábado, 17 de fevereiro de 2018

Intensão

A ilusão do bom dia
se aparenta muito
com a do adeus.
Fui dormir às cinco
pensando que eram 21:30
5:40 acordo entre
duas paredes distantes;
esvazio o pen drive e
tento dormir
entre
umas música e outra
acordo ao bom dia
de ontem entre o adeus
e o nunca mais
entretanto
Urubus devoram palidamente
cada artéria da viagem
do caminho
o acervo desencontro.

Deslumbrante
sigo adiante...
Pierre Tenório

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

na noite ensolarada

O cara da maconha não atende
Meu pó já escorre pelo rosto
Cheirei todo loló da vizinha
Geladeira vazia por completo
Acordo e não durmo o dia todo
O celular está descarregado
Percebo que ainda é quarta feira
E o meu relógio está bem atrasado
Corro sozinha em casa nua
Encontro as cartas do baralho
Os deuses partiram para a festa
Dormir é o pouco que me resta
A dolinha por fim veio matada
Enterramos o avô da minha amiga
O Cel tá voltando a bateria
Bebo toda água da torneira
Dígito algum nome na memória
Me deparo com a cama de bobeira
Degusto a última cerveja
Pinto poemas coloridos

E continuo aqui sem você.

Pierre Tenório

domingo, 11 de fevereiro de 2018

UMA SEMANA

pode me culpar
através da sua inocência

pode me amar
através do seu ódio

pode me falar
através do seu grito

pode me acordar
através do seu sono

pode me arrancar
da tua pele a ferida

podes me deixar
se quiseres, querida

só não me mates
através da sua vida;
só me procure
entre as almas perdidas.

(domingos sempre serão mais longos)

Pierre Tenório

sábado, 10 de fevereiro de 2018

O mundo viajou na maionese .
Ficamos eu  e ela na cidade

Somente eu e ela na cidade
Sozinhos como pássaros trancados

Eu pensava nela na janela
Ela ocupada não me via

Pensei que ela estava sozinha
Mas deixa que estava aprisionada

Eu pensava nela na janela
Ela de longe me penetrava

Perdi-me a procurar bela donzela
Pois que pela mãe foi enclaurusada

Pensei que só existisse nas histórias
Onde o principe ia liberta-las

Cantei para ela na janela
Sem saber se ela me esperava;

Ela não gosta de poesia
Nem de carnaval.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

estava eu distraído no teto de casa fumando um longo cigarro de erva prensada, quando de repente, avisto dois cães trepando no meio da encruzilhada, a cadela grunia de prazer enquanto o cão fazia movimentos repetitivos sem pena quase humanamente
segurando os ombros dela
a cachorra permitiu tudo em pleno carnaval silencioso da madrugada da minha rua.
O poste de luz amarela finalmente funcionou.
foi a cena mais romântica que presenciei em toda minha vida até logo

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Poeminha Vácuo

-

                                   .

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Os cães transam
na rua inteira iluminada
pelo poste amarelo
Sob a luz santa, canta e algum rabo ao lado se senta no cacto
seco de espinhos
Ela finge se levantar sobre um cacto espinhoso seco
falando espinhos
A terra vibra no momento e eu indico o dedo para a estrela que brilha na veia;
células cadentes se espelham no momento incerto
Algumas pessoas não conseguiram escrever nem tampouco escapar
O sangue que escorre do meu pau é sinônimo que vocês me perturbam.
Perguntas
Penetro os olhos nas letras do teclado do celular e as palavras não passam de apresentações
Me desapresento
não escrevo para ti
Escorro a gala do teu nariz
sob as montanhas das paisagens que percorro sem céu o espirro das formigas
Me preocupo mais com as palavras que nunca estiveram à tua vista
Me desprezo demais por causa de você
Me encanto demais pela tua ausência

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Quase nunca me lembro dela, vou pros lugares e todo mundo é parecido com ela
Faço de conta que não a esqueci
e ela escreve no pensamento o nome na ferida que não existe no meu braço
Das poucas vezes que lembro dela
é como se a Madonna lançasse um disco
e eu fizesse uma tatuagem nova
da década de oitenta
Ela toca percussão e violão de uma vez só e se pudesse a colocaria no altar de todas as artes marciais, marcianas, mas é demais como ainda penso nela
e penso
E como ela me toca distante e desvia o olhar descolado e amante das obras secundárias e terciárias
também do trabalho escravo da arte cotidiana que os dias nos dão hoje, amém
Ela também é fã de obras primas
"bela bela mais que bela"
quem é ela? 
quem sou ela?
Misturo as bebidas e volto pra casa bêbada e ela me deixa.
Ela me deixa na porta de casa e em paz.
Não se cale, pois as coisas sempre pedirão e implorarao para você provar alguma coisa.
Ela não me pede pra provar
nada.

Pierre Tenório

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Lua Morta

Você não precisa
se tornar poeta
me escrever palavras
como à um profeta

Você não precisa
declamar meu nome
só fechar os olhos
e a noite some

Você não precisa
voltar e ir embora
já não me levanto
para abrir a porta

Você não precisa
ficar mais sozinho
pois ainda cantam
tantos passarinhos

Você não precisa
nem sentir saudade
pois eu jogo fora
tuas caridades

Mas, se és vaidoso
e queres uma prosa
terás que plantar
um milhão de rosas

e libertar pássaros
de quaisquer gaiolas

Você só precisa
abraçar o vento
ver que as respostas
estão no silêncio

e eu não estou mais.

Pierre Tenório

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Marte estava triste
sem motivos
o céu inteiro chorou

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Ando tão disperso
não me lembro
de que lado
meu cabelo está
Nem por qual calçada
dessa rua vou
me atravessando
e esquecendo de você
Francamente hoje
não quis abraçar
o bêbado leproso
que passa por mim
todo santo dia
e ele aprendeu
a acenar de longe
quando miro
sua retina
sinto que a distância
é a arrogância
do triscar, do toque
e que não há lágrima
que se demore
ao afagar os olhos

Pierre Tenório

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

escreveu como uma lesma
deslizando sobre a folha
encontrou o primeiro namorado
na lista telefônica
e rasgou o número sem dúvidas
trocou o dia pela noite
assistiu o show
de uns amigos e fingiu que gostou
não para agradá-los
mas, para economizar tempo
já que teve que pagar a entrada;
a gente sempre tem que levar
os negócios dos amigos a sério
mesmo que não tenham futuro;
foi pedida em namoro mais uma vez
e recusou mais uma palavra
após a outra.
a lesma molha o papel
ao se masturbar sobre o poema
a luz de velas;
conheceu mais um famoso
na portaria do cabaré
e o odiou
por via das dúvidas

Pierre Tenório

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

gosto dos bares
gosto de dormir
acordado nos bares
ouvir a verdade
da boca dos bêbados
das bocas de fumo
fumar o cigarro
dos bêbados chatos
pagar uma dose
de algo e aceitar
em troca outra dose
de amor ao próximo
ouvir um romance
dizer um poema
não lembrar de muito

Pierre Tenório

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

minha amiga acabou de ser amada
e ligou-me histericamente
declamando uns poemas de sexo
o boy tinha o sorriso mais lindo
de todo mangue recifense
no corredor do hotel
ajoelhada e humilhada
aos pés de um macho
descansa sua pele
hidratada, assistindo tudo
pelo próprio celular
ignora a existência da felicidade
trancada fora de si
ela não sabe o que fazer
então ela me liga
e tenta me fazer inveja
e eu digo: durma em paz, sua puta
arrombada
você não pode me fazer feliz
estavamos bêbadas ao mesmo tempo
em lugares diferentes

Pierre Tenório

idiotice minha

não precisa parar o tempo
para que eu possa
sobreviver mais um pouco
já que você faz questão
de usar as palavras
para me matar distante
e me manter você,
você, você.
eu preciso desesperadamente
falar um pouco mais
da minha vida alheia
só assim eu consigo toca-lo
posso sentir o odor
da felicidade, amor
a praia está longe dos meus pés
e eu continuo dentro de você
seu idiota
nasci uma garota livre e
abandonada;
agradeço aos miseráveis deuses
por não conhecer
ninguém
absolutamente
me deixe em guerra

Pierre Tenório

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

beijo-te os pés
para que se abram os caminhos
das palavras belas

um poema novo
daqueles que se guarda
no fundo da gaveta

declamo-te a pele
umedeço-me a língua

não estou acordado



terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Lágrima

viro a página
guardo o livro
lanço um single

aprisiono
na instante
teu sorriso

ouço longe
os ruídos
dos teus gritos

ponho os fones
e me finjo
de esquecido.

Pierre Tenório












sábado, 13 de janeiro de 2018

Peixes: "entregue-se a paixão e os seus mais belos sonhos se tornarão realidade."

Até acreditaria se tivesse nascido em março deste ano, a mentira que o jornal conta todos os dias alimenta a farsa da alegria que é acreditar no que não se pode tocar.
Quando fala-se em paixão, só consigo lembrar do meu falso amor por você.
Há quem confie no universo, eu acreditei em você e desde então, todos os dias comecei a arrancar uma flor e públicar no instagram;
na contagem regressiva
para te perder de vista

da minha memória.
Desde que foste embora, ganhei a noção de como as horas podem mudar de velocidade e
sempre que durmo em meus sonhos de ouro
és pisoteado por meu ascendente em touro

é nisso que acredito,
na arte de matar as pessoas que te matam
pisoteadas, como um touro
depois jogá-las no mar do esquecimento
e reecontra-las no calabouço dos pesadelos românticos 

na arte de acreditar na própria ressurreição,
como os rios.

Sua xícara continua no armário...

Pierre Tenório

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Há um poema preso
dentro do meu estômago
quer sair pela boca
e está sujo de merda

O cu tenta expulsar
esse poema perverso
que mora perto das tripas
do meu coração

Quero entregar a você
que não o entenderá
nem que o reescreva
ou limpe com detergente

Pra ele ficar mais claro
pena que os seus olhos
estão perversurados
pelas impurezas

de fora de mim,
peça que o poema

volte para a merda

mas, nunca ouse
limpar meus lábios.

Pierre Tenório

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

NÃO CONSIGO!

disse:

- a beleza negra é exuberante;
não sabia que estava
objetificando meu amigo
que desprezou meu carinho
por eu ter a pele branca
e a boca grande

ou por não saber dizer
que a beleza negra dele
é exuberantemente
exclusiva pele
dele
as palavras da boca

em lábios finos
executando
o convite dos meus olhos
confortáveis
e famintos

de um ser humano safado
ou talvez apaixonado

disse:

- agora sou feminista;
cale a boca sua bicha
pois você não tem buceta
e nem que arranque a pica
vai se tornar menina
por incrível que pareça

o máximo é o pró
o problema
o programa
o pro orgulho das minas
teu problema
é ter proctologista

vamo pra marcha
contra os machos
posso confiar em ti?

seu ser humano safado
ou talvez apaixonado.

disse:

- me sinto heterosexual;
fui atacada por homofóbicos
na porta do hospital
espancada pela enfermeira
lésbica
negra
que me arrancou a língua e
condenando-me
ao silêncio.


Pierre Tenório

vinte e uma linhas no intervalo pro café

perdi a ideia, só sei que estava pensando um pouco
sobre alguma levianidade
sobre aproveitar as férias deitada na rede
e continuar curtindo a vida
desse formato lo-fi
como um espetáculo contínuo.
eu, a rede, a vida
as letras mentindo mais uma vez quem sou
a dança da morte me encarando de frente
a música perdida no tempo espaço de tempo

essa noite passada sonhei
o amor impossível de lábios vermelhos
e muitas estorinhas
postei tudo ao acordar
sem me dar conta
que estou no faz de conta animada
e sou uma mulher infelizmente
não realizada quase aos 30
me despeço do teclado
Antonio mandou notícias do além

Pierre Tenório

sábado, 6 de janeiro de 2018

secura de órbitas

todo mundo tá conectado
as circunstâncias
dos outros;

todo mundo se sente
afetado, pelo brilho
do ouro.

todo mundo é
reminiscente
na total ausência;

todo mundo quer
sentir profundo
as incandescências.

todos em tudo
e tolos não sãos

sagacidade na
imperfeição;

tudo em todos
o todo só é

muita ou pouca
ausência de fé.

cheiura de árbitros

Pierre Tenório (editado)

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

enquanto minha mãe termina de fazer as panquecas
penso seriamente em arrancar minha vida de mim, cobro amor próprio
durmo e acordo exatamente fora do mesmo lugar
e todas as músicas me fazem chorar
lágrimas com cheiro de maresia e sabor de água de coco
estou cega mamãe
já não abro as janelas
e ignoro a existência dos poetas
me sinto feliz e espero
a vida chegar perto e me abraçar
anseio mais um abandono
o último dia
a última flor
beijo o olhar que me faca
como corta
nunca aprendi a conversar
sozinho
já ouvi demais tua última palavra
durmo durante o filme do Cláudio Assis
e me sinto uma cerveja durante o sonho

estou congelada

Pierre Tenório

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

agradeço ao som do ventilador
o grotesco que nos corta pelas hélices
o falso vento que amedronta as paredes
e palavras , pensamentos sendo mais discreto ao vento...
calores resfriando nossos cérebros e o ódio por estar dentro de casa, ócio remoendo a pele, ossos feito carne viva, trêmula pica no cu dos que ficam.
prazer conhecer o dedo na cara do olho alheio

Pierre Tenório