domingo, 26 de março de 2017

atrás da porta o amor queima no lixeiro de alumínio e eu não sinto tuas mãos tocando minha maçaneta pois sou o pior em tudo que faço e falo com a caneta sem tinta escrevo poemas com o estilete na porta do banheiro sujo de merda pública digo bom dia ao porteiro e não recebo resposta alguma pior ainda é ser tratado como um veado dentro de uma condução nojenta felicidade é uma paz cheia de dinheiro é quando riem da minha cara de chupa pau é quando eu leio o jornal sujo de sangue nosso tu conhece a felicidade? mergulho na piscina de três metros e meio e sobrevivo por lá massageio teus pés de otário em cima da mesa enquanto cuspo verbos na tua cara de otário e tu me paga um salário de merda pra comer minha boceta coagulo num porão de rosas mortas achadas no lixo protesto e ocupo e nada acontece parem de gritar parem de gritar seus bando de bestas que isso não tá adiantando
mais.
explodam a cabeça do presidente num longo espaço de tempo amplo nossas cicatrizes como a terra germinam somos a geração mais infeliz que ouvimos falar abraços continuam baratos
estou me repetindo

Pierre Tenório

sexta-feira, 24 de março de 2017

Certo dia
conheci um tal de
Sr. Assis
não tinha nada de Francisco
e vivia correndo riscos
falando pelos tornozelos
achava-se nos próprios medos
além do zelo, desvelo
pelos prédios
e animação

odiava os gatos
e também os sapatos
tentava entender o mundo
mas, era desgarrado
feito um moribundo
não se importava com nada
além de estar além
conversava com animais
no entanto
os únicos que o ouviam

eram os seres humanos
ainda assim, surdos.

Pierre Tenório

quinta-feira, 23 de março de 2017

coloca o Celular
no teu coração
e deixe-o vibrar.

Pierre Tenório
gosto de estar com você
pelo artefato de me desfazer
a existir
ao mesmo entretempo que me consome
numa consoante.

Pierre Tenório
as correntes que me prendem a esfera
que me prende as garras das feras
que me prendem a atmosfera
que me rende.

Pierre Tenório

sexta-feira, 17 de março de 2017

ORVALHOS

qualquer pessoa pode ter
o mesmo perfume
que o seu,

mas, duvido que ela possua
o mesmo cheiro que o meu
nariz inspira pelos cantos

da tua vida.

posso amar qualquer perfume
mesmo que não seja pura
tua essência,

o cheiro do seu corpo
penetrando meu olfato
ainda escorre pelos olhos

da minha vida.

Pierre Tenório

quinta-feira, 16 de março de 2017

primeiramente,

fora aquilo que te escrevo ou escrevi.
que me levou e me levando, o fogo flui;
qualquer coisa não seria necessariamente delicada.
ou dedicada.
uma carta, uma urgência que me fale a memória,
confesso de lábios fechados e molhados pela língua entre os dedos
da ressequidão umedecida pelas páginas calejadas que sem calar, param
para me ouvir dançar.

e eu danço, danço e também me deixo levar um pouquinho
como o galo gala nas manhãs sob a lua.
confesso que esconderia tudo maldito.
dentro do teatro, lá no camarim, por debaixo da
bolsa preta que está em cima da sandália de couro.

e acolheria tuas cartas onde, onde os olhos não alçariam
aterrizar, ou até mesmo entre os membros de um corpo insólito.
no entanto, porém, contudo, decido queimá-las as tuas cartas
em meu ventriloquismo insensato.
e lembrá-lo de uma vez por todas com toda evasão das reticências.

me destroço e me espalho e me esparramo no estardalhaço
das conversas onde calado sobrevoo vestígios
que me levam ao nunca mais me retoque.
engulo copos vazios de ar.
sem pontos

não tentes me

Pierre Tenório