terça-feira, 17 de abril de 2018

péssima atriz

sonhei que o caminhão do faustão
estacionou na minha horta e passou por cima
de alguns ramos recém plantados;

a casa própria ficou parada em frente
da casa onde moro
e eu mandei-os embora

guardei a foto da porta
e fechei os poros da face

fiz uma careta na frente do espelho
e todo mundo me entendeu

finalmente choquei os ovos
e daqui a pouco beberei sangue
colherei as frutas verdes

para saciar a fome
dos poetas
sem fome

e a sede
dos poetas
sem nome

à zelar
assinar;

o olhar é uma ferramenta
que nos persegue
e difere.

mudo de ideia



Pierre Tenório




quinta-feira, 12 de abril de 2018

tp

tapa tipo
topa tapo
tupa tupi
tepi tipe
topi

tenorio pierre
trabalhador partido
trova poema
trava problema


quarta-feira, 11 de abril de 2018

o sol se põe
queimado e
por debaixo
todas as cicatrizes
declamam sem
flâmulas
diante raios

ainda bem
que o poema
não incita a cena
que excita
os mastros
quebrados
sobre plantações;

onde as mãos limpas de terra
declaram amor pela guerra.

Pierre Tenório
VAI

não é de costume, mas, ele correu.
não sabe a verdade, mentira ou identidade;
se mostra valente, tão inconsequente, vadio,
vulgar.

não faz de conta, nem se apronta
pra aprontar, afronta;
conta mais nãos do que sinos na agenda
do celular, alarmes não o amedrontam.

ele se esvai dentre rios vazios;
areia, poeira e espaço.
garfos e facas o cortam e furam,
o amor não o cura.

ele me esconde segredos revelados
ao mundo pequeno das fotos;
expõe suas próprias fraquezas
em mesas sem nenhuma cadeira.

Pierre Tenório

quarta-feira, 4 de abril de 2018

nuvens de algodão

confundem

palavras

não contadas
dispersam

fumaça

com as mãos

ultra
passam

contra
toques

de condão

fotos não
reveladas

velam

Pierre Tenório

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Pela janela

encontrei um poema
daqueles
que se guarda
na escrivaninha
e ele nunca atinge
o fundo da gaveta

beijo-te os pés
para abrir os caminhos
do verso dos versos

poema discreto

como quando
me declamas
cartas
pelo pensamento

erro a ortografia
quando me deleito
sobre o corpo
de tu, poema

e confundo
minha língua
com teus outros
idiomas

te domino e
você me flui

como um poeta
maldito, dentro
de um poema irretocável.

Pierre Tenório

segunda-feira, 26 de março de 2018

Os sintomas dos teus dedos
apontam toques ledos
sobre as pontas dos meus dedos

As linhas de tuas veias
deságuam como teias
na hipoderme das minhas veias

Saborosos os pentelhos
a espessura dos cabelos
na textura que me espelho

Tua boca como ceia
me entrelaça feito leiga
nas linguagens que anseias

Meu silêncio de arvoredo
decodifica segredos
gritando pra todo medo:

-A distância como beijo
saliva e liga os desejos.

Pierre Tenório