quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

fui assassinado
e deixaram meu corpo
com todos os sentimentos
intactos e profundamente
enterrados sob a carne
crua e podre
e nos ossos
havia pena e tinta

isso, os ossos
sobrevoando a terra firme
das palavras
tatuadas por debaixo
da pele carnal
e limpa
fui assassinado
pois que nunca
sobrevivo aos momentos
que te amo

isso mesmo, você existe
e me matou
carinhosamente
quando disse boa noite
e a lua se tornou poeira
diante os olhos
e o corpo escreveu
a última palavra
do poema vivo

não é fácil sobreviver
aos pedidos de
despedidas

apago os eu te amo
da lista telefônica
ainda não te morri

Pierre Tenório

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Se alguém te deixar
triste, sorria
para o próximo. 



(Pierre Tenório)

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

avisto o shopping e
tenho a estranha sensação
que não existe morte

e Jesus virá de helicóptero
a qualquer momento
tirar fotos

penso que a vida
dali em diante
por si só
devido as cores

eternamente será

vou aos parques caros
e saio sem pagar
feliz escolho
qual não ir

as mães seguram
as mãos
e as soltam
pra nunca mais.

ficamos lençóis
quase com palavras

o cheiro
da praça
de alimentação

o cd novo
no toca discos
do carro

a paisagem
agarrada no braço

e por incrível que pareça
sempre compro
nada.

e ganho nadas
o cheiro do livro no armário

Pierre Tenório

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

estou cega com o brilho
da lua
e aconselho-te amar
quem não responde
aconselho-te comprar
um conselho do meu livro
de péssimos conselhos
eu poderia quebrar o
telefone para me desligar
de você.

banho meus olhos
em milhas e léguas

a alma em contragotas
de paraquedas.

Pierre Tenório

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

troquei um punhado de alface
por uma porca gorda e faminta
vegetariana até as orelhas quando eu a olhava sentia o gosto da feijoada
eu mesmo matei a porca
e dentro dela tinham filhotes
de porquinhos e eles ficaram vivos
fora da porca sem cabeça

Eu comi a porca
assada na brasa
com cerveja.

jesus te ama
santan te ama;
nos cumprimentamos
e os irmãos da casa vizinha
me mandaram para o inferno

Vi os filhotes
crescerem gordos
famintos e
manifestados
com o espírito santo.
Deus me comeu no almoço
de amanhã
e eu me senti uma merda
divina e onipresente.

Pierre Tenório

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Concluído

As palavras não terão
mais o peso dos grãos
da
terra
que nos so
                  ter
                      ra

No fim
letra por letra;

Nada haverá dito
Não há veredicto.


amor.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

MAIS EDUCAÇÃO

cuspo estrelas na tua cara
enquanto o coração para

I

Juro não escrever mais
poemas de amor
nunca mais
um juramento duvidoso
assim como és

Direi que o todo que te amo
atravessa os caminhos venosos
do meu riso
tor
to
não importa que você não atenda o telefone
sei que estou ocupado
e se amas, deitado esperando a lua.

II

Tudo pulsa e
enquanto os segredos são jorrados à luz
de penas
qualquer amanhã aparece corrompido
para dar suas boas vindas mesmo
sem ser
convidado.

Cobiço o homem do próximo
como a via láctea dança
em círculos.
assustado com minhas mãos frias
e com a alegria que elas matam
todo meu intenso.
Me lembras quando já esqueci
mas, esqueces como de costume

Te como de costume
com o resto

das mãos

III

Se soubesse de tudo
também
não teria prazer ser
ninguém

realmente
Como algo gostoso que você
come
caga e morde dezenas de vezes
Nuvens de fumaça na floresta
e a música está queimada
o pôr do sol é lindo e me
limito nas paredes dos teus brônquios
implorando prisão.

fotografo teus pés caminhando para
o relógio das flores.

Risco a palavra

IV

Sujo o poema com medo
das lágrimas
Elas não precisam estar
levitando sobre
minhas unhas sem esmalte
preto
é a minha cor favorita.

Ninguém aqui é ativista
nem do mal
ninguém precisa de ninguém
e isso é muito frágil
na quarta série fui estuprada
E isso é claro demais

para meus óculos
lentos.

V

Queria que você se abrisse
para mim...
Não em formato de palavra
e sim, como um corpo de letras
cheio de idéias

Acendo as luzes e tudo
está como
desejo
corto o coração
com verbos.

Pierre Tenório