quarta-feira, 18 de novembro de 2015

depois de uma longa semana de pesadelos, no silêncio que me punha
pude ouvir cada nota fora do tom que a música pedia nos ensaios,
aquilo martelava como as cordas de um piano.
distante das geografias do teu corpo, escalei montanhas de lama
à procura de lugares seguros pra descansar o juízo que condena
diariamente nossos atos.
e enquanto o ouvido já pensante construía tudo que queria,
insistindo em não ouvir o desprezo que desafina os olhos,
a boca solfejava uma melodia que quase implorava por acordes:

-meu bem, é preciso aceitar o fado
de amar e se amar sem ser escravo.

Pierre Tenório





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