quinta-feira, 16 de novembro de 2017
o filho da porra vomita sem querer, nada
e além de se preocupar com conjunturas
atinge a junção das palavras
e a estética da métrica
com a beleza da janela
aberta
um imbecil
meche comelas
ninguém lê
e não é preciso fugir
pq a vida óbvia
irreparavel mente
repete as palavras
e os
ex
é a primeira vez que escrevo
Pierre tenório
sábado, 11 de novembro de 2017
não falo de um espelho quebrado ou de uma caneta estourada ou a discorrência do texto
na tela do submarino, isso, de não sentir o próximo momento como algo que se escreva
em ordem de pensamento, ou pausa, o que não deveria ser ou o estrago que é, a real ilusão
do nunca. o silêncio dos dias e a queda das árvores, o medo, a distância rápida entre
uma vida e outra, a quantidade de linhas escritas, o peso da página.
o produto
Pierre Tenório
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
para ti, senhor
mente cansada
de não fazer absoluta
mente nada
por ti
atravesso a rua
procurando chuvas que se foram
agradeço
pois a foto não desbotou
da carteira de estudante
me maquio
te mapeio
e nem de quatro
centos reais você vai
me pegar
de supresa
por acaso
não entendo os hormônios e
as próteses estão murchas
os violões silenciados
badalam os sinos
à luz das lágrimas
dos palhaços
tangs
mangues e
suco gams
Pierre tenório
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
Travessia
Nada mais me faz fumar
um cigarro sequer na ânsia
de algo qualquer, lembrança
ou toda palavra cansada
que atinge os dias
sem graça
Comecei ler Dostoiévski
um romance em noite brancas
a paixão não me achou
a solidão do sonhador
também nada
em pontes frias
Sobrevivendo ao fundo
das águas todas do mundo
no silêncio de si
nas palavras do sol
que dói em mi
dias escuros
O olhar das nuvens, discreto
me adentra céu aberto
E o consagrado do livro
escorre pelos destinos.
Não me transfiguro
Pierre Tenório
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
PIEDADE
digo que só tem
piedade em mim
pago tua pena
vivo ao lado
de quem não me quer
por perto
não ousem tirar-nos
o silêncio que o vento
se recusa a soprar
dentro dos ouvidos
a solidão é a alma
dos nossos negócios
ainda há muito ódio
para ser amado
sobre os tantos corpos
vivos, talvez mortos
me parto.
Pierre Tenório
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
Configuração
Preciso que me toques
como dedilhas as cordas
dessa guitarra abandonada
Imploro aos teus pés
pela firmeza dos dedos
procurando um espaço
por dentro de mim
Meu cu se abre
como a porta do céu
em chamas
Quero que você dance
sobre as letras da minha alma
e perca os anéis
esqueça os braços envolvidos
na epiderme do meu cansaço
Espere anos até que eu goze
musicas em teu pescoço
Mergulhe-se no instante
com a força do teu poema
rígido na minha boca
Exploda no meu canto
com o som do suor estampado
em minhas costas
durma
acordado e me esqueça
no pensamento do sono
perdido.
Pierre Tenório
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
eu poderia dizer que tá tudo uma merda
mas, limito ao território terrestre
onde sujamos os pés e as próprias mãos
onde lavamos a face com o sangue das almas
eu poderia lutar pelo poder das coisas
mas, limito em querer ter um espaço
onde suje com meus próprios pés
e cozinhe com as mãos limpas
eu poderia te deixar para trás
mas, limito minha impaciência
onde peço tua mão na minha
onde beijos nos teus pés são fáceis
eu poderia insistir no segredo
mas, limito minha indecisão
onde olhos nos olhos são versos
onde me liberto dessa estrofe
Pierre Tenório