VENENO
da última vez
que beijei teus olhos
não pude sentir
o gosto salgado
que me adoça os lábios
ao te ouvir chorar
pela última vez
nesses anos todos
morri mais um pouco
por dentro de mim
não me leve a mal
mas, sobrevivi
para te ver cego
procurando medos
em novos castelos
de areia
desculpe-me amor
só peço que passes
pro resto da vida
as noites em claro
encontrando a cura
para as feridas
que nenhuma ausência
ousaria causar
um único aviso:
se mate por quem
me mata de rir.
idiota, eu diria
Pierre Tenório
quinta-feira, 9 de março de 2017
segunda-feira, 6 de março de 2017
sexta-feira, 3 de março de 2017
ESCAFANDRO
Pensar em sempres
sempre me afoga;
Te amo no silêncio das vitórias
como também nos gritos de derrota
Se fico sem a tua companhia
o mar de aquarius é o abrigo
Com você o pequeno é imenso
nas estrelas de vidro que me cercam
Algas de plástico e cometas
imploram-me pra percebê-las
O silêncio de luzes florescentes
simulam o sol quase transparente
Nas ondas de marés não intensas
sou d'água doce como sempre lembras
Sozinho em teu santuário
sou peixe que flutua no aquário.
Pierre Tenório
Pensar em sempres
sempre me afoga;
Te amo no silêncio das vitórias
como também nos gritos de derrota
Se fico sem a tua companhia
o mar de aquarius é o abrigo
Com você o pequeno é imenso
nas estrelas de vidro que me cercam
Algas de plástico e cometas
imploram-me pra percebê-las
O silêncio de luzes florescentes
simulam o sol quase transparente
Nas ondas de marés não intensas
sou d'água doce como sempre lembras
Sozinho em teu santuário
sou peixe que flutua no aquário.
Pierre Tenório
quinta-feira, 2 de março de 2017
Amiga,
Mais uma vez me perdi do sono após ligar o ar
e ficar esperando o clima esquentar dentro de mim
na lembrança das fotos que tirei e que perdi.
Já é março e daqui a pouco é o seu aniversário
não posso nem comprar nada, mas, sei que és acostumada
a passar esta data, querida, recebendo presentes inúteis
de face a não face, coisas que qualquer sorriso compraria
se existisse.
Finalmente o mar pôde me abraçar e
enquanto passeava pela areia que esfoliava
meus pés grotescos, a maresia corroía os meus cabelos
e a amargura de sentir-se só.
As pessoas riam do meu andar desajeitado, confesso que
senti-me a cada riso, cada vez mais linda e avermelhada
como o arrebol, você precisava ver as marcas das minhas feridas.
Nenhum garoto conseguiu me beijar, perdi a conta de quantos
não distribuí sozinha pelos passeios na pracinha verde,
tenho muitos guardados na bolsa que perdi.
Ouvi muitos discos e uísque enquanto as narrativas abraçavam-me
os ouvidos.
Prestes a lançar o livro estou nervosa e bêbada.
Fui assaltada e estou sem contato físico, preciso pegar umas aulas
para pagar esse meu faz de contas, mandei um currículo em branco
e a meses espero uma ligação que sei que agora não virá.
Tive pesadelos místicos e preciso ficar cada vez mais só.
Olha um fragmento do livro que estou a ler no quarto do hostel
de um casal de amigos, hospedada com a minha graça. rs
Lembrei imediatamente de você;
"De agora em diante eu poderia chamar qualquer coisa
pelo nome que eu inventasse: no quarto seco se podia, pois
qualquer nome serviria, já que nenhum serviria.
Dentro dos sons secos de abóbada tudo podia ser chamado
de qualquer coisa porque qualquer coisa se transmutaria
na mesma mudez vibrante."
Quero que adivinhes de quem é e te mando livro completo,
sei que amarias. Também te envio como brinde um setlist
very special key em um frasquinho de lentes de contato.
Saudade do teu cheiro especial e de quando ficávamos loucas
no quintal da caverna do dragão.
Infelizmente você morreu e perdeu mais um carnaval
com a Rita lee cantando Beatles e agente amando no final
da festa, I wanna hold your hand, bitch, hahaha;
Escrevi um poema embriagado narrando mais ou menos a viagem,
e bebendo um milk shake, mandarei em anexo.
Encerro esta carta ao som de get out of town na voz da Caetana,
quem nem a estraga tanto, mas, sei que você odeia.
Amanhã pegamos estrada e você o quanto tenho medo de percursos,
bobagem, afinal de contas, Deus sempre me perdoa.
Saudades.
anexo em poema:
PERDI TODOS OS MEUS POEMAS
ATÉ OS QUE NÃO ESCREVI
TIVE PESADELOS DE INFÂNCIA
INCLUSIVE A QUE NÃO VIVI
PERDI TODAS AS MINHAS FOTOS
E TAMBÉM OS MEUS AMIGOS
ME PERDI ENTRE O BARULHO
QUE ALGUNS NOMINAM MÚSICA
ME PERDI QUANDO TE PERDI
MAIS UMA VEZ PELOS CAMINHOS
JÁ QUE NÃO ESTAIS NOS SONHOS
VENHA-ME NOS PESADELOS
AINDA BEM QUE AINDA LEMBRO
TEU ENDEREÇO ELETRÔNICO, MÃE
NO ENTANTO, ESTOU AQUI
ME REDESENCONTREI
ENQUANTO ME DISTRAÍ.
tp
Mais uma vez me perdi do sono após ligar o ar
e ficar esperando o clima esquentar dentro de mim
na lembrança das fotos que tirei e que perdi.
Já é março e daqui a pouco é o seu aniversário
não posso nem comprar nada, mas, sei que és acostumada
a passar esta data, querida, recebendo presentes inúteis
de face a não face, coisas que qualquer sorriso compraria
se existisse.
Finalmente o mar pôde me abraçar e
enquanto passeava pela areia que esfoliava
meus pés grotescos, a maresia corroía os meus cabelos
e a amargura de sentir-se só.
As pessoas riam do meu andar desajeitado, confesso que
senti-me a cada riso, cada vez mais linda e avermelhada
como o arrebol, você precisava ver as marcas das minhas feridas.
Nenhum garoto conseguiu me beijar, perdi a conta de quantos
não distribuí sozinha pelos passeios na pracinha verde,
tenho muitos guardados na bolsa que perdi.
Ouvi muitos discos e uísque enquanto as narrativas abraçavam-me
os ouvidos.
Prestes a lançar o livro estou nervosa e bêbada.
Fui assaltada e estou sem contato físico, preciso pegar umas aulas
para pagar esse meu faz de contas, mandei um currículo em branco
e a meses espero uma ligação que sei que agora não virá.
Tive pesadelos místicos e preciso ficar cada vez mais só.
Olha um fragmento do livro que estou a ler no quarto do hostel
de um casal de amigos, hospedada com a minha graça. rs
Lembrei imediatamente de você;
"De agora em diante eu poderia chamar qualquer coisa
pelo nome que eu inventasse: no quarto seco se podia, pois
qualquer nome serviria, já que nenhum serviria.
Dentro dos sons secos de abóbada tudo podia ser chamado
de qualquer coisa porque qualquer coisa se transmutaria
na mesma mudez vibrante."
Quero que adivinhes de quem é e te mando livro completo,
sei que amarias. Também te envio como brinde um setlist
very special key em um frasquinho de lentes de contato.
Saudade do teu cheiro especial e de quando ficávamos loucas
no quintal da caverna do dragão.
Infelizmente você morreu e perdeu mais um carnaval
com a Rita lee cantando Beatles e agente amando no final
da festa, I wanna hold your hand, bitch, hahaha;
Escrevi um poema embriagado narrando mais ou menos a viagem,
e bebendo um milk shake, mandarei em anexo.
Encerro esta carta ao som de get out of town na voz da Caetana,
quem nem a estraga tanto, mas, sei que você odeia.
Amanhã pegamos estrada e você o quanto tenho medo de percursos,
bobagem, afinal de contas, Deus sempre me perdoa.
Saudades.
anexo em poema:
PERDI TODOS OS MEUS POEMAS
ATÉ OS QUE NÃO ESCREVI
TIVE PESADELOS DE INFÂNCIA
INCLUSIVE A QUE NÃO VIVI
PERDI TODAS AS MINHAS FOTOS
E TAMBÉM OS MEUS AMIGOS
ME PERDI ENTRE O BARULHO
QUE ALGUNS NOMINAM MÚSICA
ME PERDI QUANDO TE PERDI
MAIS UMA VEZ PELOS CAMINHOS
JÁ QUE NÃO ESTAIS NOS SONHOS
VENHA-ME NOS PESADELOS
AINDA BEM QUE AINDA LEMBRO
TEU ENDEREÇO ELETRÔNICO, MÃE
NO ENTANTO, ESTOU AQUI
ME REDESENCONTREI
ENQUANTO ME DISTRAÍ.
tp
eu te amo
enquanto minha glória não for aleluia
também espero que me digas
nãos para sempre e juro que não estarei nem aí pra mim
enquanto canto alguma conversa fora
as mãos
as mães
os nãos
cheios de vazios
que nos completam e confundem por todos os ângulos; formas transparentes
pirâmides
enquadros
molduras de ausencias inflamáveis
que nos matam aos berros diariamente.
peço que suportes meu silêncio quando te agraceço por te amo.
aos gritos
troco discos de trás para frente a espera de um milímetro de obrigado sem certeza.
não me deixe em paz, as pedras que caminhavam pelos jardins se puseram a florir calando o medo de mim mesmo.
não sou grato pelo poema que me inscreveste.
sobrevoo calmamente os escombros de mim mesmo e te contemplo sentado sobre si
na fagulha dos olhares.
confesso: não tenho medo de mim e posso me amar a qualquer momento dentro dos teus precipícios.
me odeie não
Pierre Tenório
enquanto minha glória não for aleluia
também espero que me digas
nãos para sempre e juro que não estarei nem aí pra mim
enquanto canto alguma conversa fora
as mãos
as mães
os nãos
cheios de vazios
que nos completam e confundem por todos os ângulos; formas transparentes
pirâmides
enquadros
molduras de ausencias inflamáveis
que nos matam aos berros diariamente.
peço que suportes meu silêncio quando te agraceço por te amo.
aos gritos
troco discos de trás para frente a espera de um milímetro de obrigado sem certeza.
não me deixe em paz, as pedras que caminhavam pelos jardins se puseram a florir calando o medo de mim mesmo.
não sou grato pelo poema que me inscreveste.
sobrevoo calmamente os escombros de mim mesmo e te contemplo sentado sobre si
na fagulha dos olhares.
confesso: não tenho medo de mim e posso me amar a qualquer momento dentro dos teus precipícios.
me odeie não
Pierre Tenório
sábado, 18 de fevereiro de 2017
NÃO ESPERE QUE EU EXPLODA
POIS NÃO SOU UM HOMEM BOMBA
SE EU NÃO FICAR MILIONÁRIO
PELO MENOS TIRO ONDA
COM A CARA DOS OTÁRIO
O QUE FALO NÃO É LOMBRA
SE ME COLOCAR NO PALCO
SAI DA FRENTE, SE ESCONDA
TÁ PENSANDO QUE EU NÃO PENSO
O QUE É A ESPERANÇA
TU ESPERA QUE ALGUÉM MORRA
PRA PODER FICAR COM HERANÇA
NÃO TÔ NEM AÍ PRA ISSO HOMEM
MESMO QUE EU PASSE FOME
SEMPRE FAREI O QUE GOSTO
EU ESCREVO E TU COME
VAI PRA LONGE
COM ESSE TEU CLIMA PESADO
TU JÁ FOI DESSA QUEBRADA
PEGA TEU MONNEY E SOME
É ASSIM QUE EU NÃO PRESTO
POSSO FICAR COM O RESTO
MAS O QUE NÃO FALTA NÊGO
É A PALAVRA PRO VERSO
SABE ONDE QUERO CHEGAR?
PERTO DOS PÉS DE UM ALTAR
PEGAR O BUQUÊ DE FLÔ
E IR PRO MATO PLANTAR
OLHAR NO CÉU MULTICORES
ME DESPERSONIFICAR
SEGURA AQUI MEU DIÁRIO
E VÊ SE APRENDE A LER OTÁRIO
Pierre Tenório
POIS NÃO SOU UM HOMEM BOMBA
SE EU NÃO FICAR MILIONÁRIO
PELO MENOS TIRO ONDA
COM A CARA DOS OTÁRIO
O QUE FALO NÃO É LOMBRA
SE ME COLOCAR NO PALCO
SAI DA FRENTE, SE ESCONDA
TÁ PENSANDO QUE EU NÃO PENSO
O QUE É A ESPERANÇA
TU ESPERA QUE ALGUÉM MORRA
PRA PODER FICAR COM HERANÇA
NÃO TÔ NEM AÍ PRA ISSO HOMEM
MESMO QUE EU PASSE FOME
SEMPRE FAREI O QUE GOSTO
EU ESCREVO E TU COME
VAI PRA LONGE
COM ESSE TEU CLIMA PESADO
TU JÁ FOI DESSA QUEBRADA
PEGA TEU MONNEY E SOME
É ASSIM QUE EU NÃO PRESTO
POSSO FICAR COM O RESTO
MAS O QUE NÃO FALTA NÊGO
É A PALAVRA PRO VERSO
SABE ONDE QUERO CHEGAR?
PERTO DOS PÉS DE UM ALTAR
PEGAR O BUQUÊ DE FLÔ
E IR PRO MATO PLANTAR
OLHAR NO CÉU MULTICORES
ME DESPERSONIFICAR
SEGURA AQUI MEU DIÁRIO
E VÊ SE APRENDE A LER OTÁRIO
Pierre Tenório
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
me senti um ser humano preso numa roda de conversa
onde meus ouvidos pediam para descansar, mas, a senhorita
não parava de discutir ininterruptamente com o indivíduo a sua frente,
ele estava indelicadamente vestido de mulher, ''catraia'',
no melhor jeito machista de falar, alegava não ser machista.
ela estava devidamente organizada com um terno branco,
barba de lápis de olho, chapéu, um relógio dourado que provavelmente
seria do avô falecido.
-que horas são, moça? (perguntei-lhe tentando fazer com que eles
esquecessem do que estavam falando. inutilmente.)
-tá parado. (respondeu-me olhando para o braço e coçando os ovos)
ela o agrediu minutos antes de saírem em seus respectivos blocos
de carnaval; ela não permitira que ele saísse em um bloco cujo nome
depreciava o ser feminino.
ele a chamou de puta.
os dois são casados a 13 anos e se conheceram na adolescência,
mas, alegavam não se conhecerem nada a cada dia.
ela chorava de ódio.
ele é a favor do governo temer.
ela o agride por isso.
Quando o delegado chegou, me liberou pelo roubo do chapéu verde que
afirmei ter esquecido de pagar e pedi desculpas e assinei um papel.
parece que terei que limpar os banheiros de uma escola durante seis meses.
no caminho de casa no meio do furdunço, encontro os dois blocos
bêbados de mãos dadas levantadas ao alto quase zombando dos policiais
que os prenderam minutos atrás.
o som da orquestra de frevo e dos batuques de maracatu
quase ofuscava o de suas vocês que gritavam e
cantavam e gritavam freneticamente felizes
-MACHISTAS FEMINISTAS, NÃO PASSARÃO!
-FEMINISTAS MACHISTAS, NÃO PASSARÃO!
não sou rockeiro, mas, carnaval me dá medo. rs
Pierre Tenório
onde meus ouvidos pediam para descansar, mas, a senhorita
não parava de discutir ininterruptamente com o indivíduo a sua frente,
ele estava indelicadamente vestido de mulher, ''catraia'',
no melhor jeito machista de falar, alegava não ser machista.
ela estava devidamente organizada com um terno branco,
barba de lápis de olho, chapéu, um relógio dourado que provavelmente
seria do avô falecido.
-que horas são, moça? (perguntei-lhe tentando fazer com que eles
esquecessem do que estavam falando. inutilmente.)
-tá parado. (respondeu-me olhando para o braço e coçando os ovos)
ela o agrediu minutos antes de saírem em seus respectivos blocos
de carnaval; ela não permitira que ele saísse em um bloco cujo nome
depreciava o ser feminino.
ele a chamou de puta.
os dois são casados a 13 anos e se conheceram na adolescência,
mas, alegavam não se conhecerem nada a cada dia.
ela chorava de ódio.
ele é a favor do governo temer.
ela o agride por isso.
Quando o delegado chegou, me liberou pelo roubo do chapéu verde que
afirmei ter esquecido de pagar e pedi desculpas e assinei um papel.
parece que terei que limpar os banheiros de uma escola durante seis meses.
no caminho de casa no meio do furdunço, encontro os dois blocos
bêbados de mãos dadas levantadas ao alto quase zombando dos policiais
que os prenderam minutos atrás.
o som da orquestra de frevo e dos batuques de maracatu
quase ofuscava o de suas vocês que gritavam e
cantavam e gritavam freneticamente felizes
-MACHISTAS FEMINISTAS, NÃO PASSARÃO!
-FEMINISTAS MACHISTAS, NÃO PASSARÃO!
não sou rockeiro, mas, carnaval me dá medo. rs
Pierre Tenório
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