ALCOÓLICA
Me sinto um mostro
e por enquanto
você não pode
me penetrar,
se não, te mordo
até sua alma
poder voar.
Fiques calado
enquanto o falo
que me amordaça
grita que nunca
serei tua raça.
irei embora
pelas calçadas;
como você,
sou vira-latas.
Pierre Tenório
segunda-feira, 14 de março de 2016
segunda-feira, 7 de março de 2016
escrevo e jogo poemas fora
no lixo denso das sabedorias
nos vasos que há dentro dos corpos
nos pratos que não mato a fome
parece bobagem (ou frescura)
mas, por mais vazio que sinta
meus versos são calejados
e somente posso sentir
d'um jeito bem semelhante
ao que todo mundo sente
meus versos são para as folhas
das árvores, baleias, astronaves
para qualquer olho cego, morto-vivo
ou talvez para os amigos
dos amigos
ninguém mais
meus versos são para o meu ex namorado
e também para o seu
passado e futuro, nunca presentes
não, não são presentes
pálidos
os poemas são fatos ou fotos,
fitas de vídeo e cetim
vícios, viço
jogo poemas fora
mas, não me atreveria
jogar um papel de bala
desarmado na calçada.
tenório, pierre
no lixo denso das sabedorias
nos vasos que há dentro dos corpos
nos pratos que não mato a fome
parece bobagem (ou frescura)
mas, por mais vazio que sinta
meus versos são calejados
e somente posso sentir
d'um jeito bem semelhante
ao que todo mundo sente
meus versos são para as folhas
das árvores, baleias, astronaves
para qualquer olho cego, morto-vivo
ou talvez para os amigos
dos amigos
ninguém mais
meus versos são para o meu ex namorado
e também para o seu
passado e futuro, nunca presentes
não, não são presentes
pálidos
os poemas são fatos ou fotos,
fitas de vídeo e cetim
vícios, viço
jogo poemas fora
mas, não me atreveria
jogar um papel de bala
desarmado na calçada.
tenório, pierre
quarta-feira, 2 de março de 2016
SORRISO ESBOÇO
Observe sempre
pequenos detalhes
mas, nunca se prenda
aos grandes olhos
de qualquer pessoa
faça um negócio
quebre os espelhos
por toda casa
retire os óculos
vista a cegueira dos animais
siga instintos elementais
seja a poeira
das folhas brancas
desequilibre-se
rente aos tremores
mergulhe fundo
em erupções
não precisa sorrir na foto
para gargalhar do outro
pode esquecer essa história
daquele que ri por último.
Pierre Tenório
Observe sempre
pequenos detalhes
mas, nunca se prenda
aos grandes olhos
de qualquer pessoa
faça um negócio
quebre os espelhos
por toda casa
retire os óculos
vista a cegueira dos animais
siga instintos elementais
seja a poeira
das folhas brancas
desequilibre-se
rente aos tremores
mergulhe fundo
em erupções
não precisa sorrir na foto
para gargalhar do outro
pode esquecer essa história
daquele que ri por último.
Pierre Tenório
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
as moscas passeiam pelas ruas
pousando em nossas macaxeiras
com manteiga derretida sobre
nós dançando agarrados
a nós mesmos
numa dança
de algum jantar
em plena guerra
espera
não lanço sorrisos
pegue a mão dos meus olhos
e siga sempre pra onde
não quiseres
contra dance
contra eu
faça-me o favor
de pisar meu pé
sobrevoando as lógicas
das nossas semióticas.
Pierre Tenório
pousando em nossas macaxeiras
com manteiga derretida sobre
nós dançando agarrados
a nós mesmos
numa dança
de algum jantar
em plena guerra
espera
não lanço sorrisos
pegue a mão dos meus olhos
e siga sempre pra onde
não quiseres
contra dance
contra eu
faça-me o favor
de pisar meu pé
sobrevoando as lógicas
das nossas semióticas.
Pierre Tenório
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
poema de domingo à tarde
não
eu não quero morrer agora,
preciso sentir o cheiro da noite
e da privada
sentir o beijo das almas
e o corte das pálpebras
eu não quero morrer
porque não me permito
desaparecer pelos buracos
brancos do esquecimento
não, eu não quero morrer
ainda preciso abraçar o vento
concreto e não
real.
Pierre Tenório
não
eu não quero morrer agora,
preciso sentir o cheiro da noite
e da privada
sentir o beijo das almas
e o corte das pálpebras
eu não quero morrer
porque não me permito
desaparecer pelos buracos
brancos do esquecimento
não, eu não quero morrer
ainda preciso abraçar o vento
concreto e não
real.
Pierre Tenório
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Súdito
Arrumei as malas
simulando fuga
naveguei parado
por terras de nunca
Conheci paisagens
as quais desprezei
dei misericórdia
descumpri as leis
Na imensidão do teu corpo
ousei ser tripulante
por lá fiz de tudo um pouco
só não pude ser amante
Me perdi nas próprias palavras
inclusive as que calei
Queimo todos os castelos
onde não posso ser rei.
Pierre Tenório
Arrumei as malas
simulando fuga
naveguei parado
por terras de nunca
Conheci paisagens
as quais desprezei
dei misericórdia
descumpri as leis
Na imensidão do teu corpo
ousei ser tripulante
por lá fiz de tudo um pouco
só não pude ser amante
Me perdi nas próprias palavras
inclusive as que calei
Queimo todos os castelos
onde não posso ser rei.
Pierre Tenório
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