CASCAVEL
posso sentir de longe
o cheiro da tua pele
meu nariz não alcança
insisto em lamber o medo
na secura que abriga-me os lábios
no fundo do teu segredo
e até propor uma dança
com as sobras da esperança
por mais pequena que seja
é meu presente ao chão
que insistes em desbravar
nu corpo em meus pensamentos
no toque que sempre corre
esse é o tipo de amor
que alimenta a vida;
rastejarei sorrateira
pra alma sugar por inteira.
Pierre Tenório
domingo, 8 de novembro de 2015
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
AFOGADO
queria sair correndo
pro longo abismo que crio
a cada passo que deixo
nas profundezas de mim
me desmanchar no caminho da queda
engolir objetos que nunca digiro;
vomitando pedaços e
desatando os laços
do meu vestidinho
pra morrer bem nua
na tua.
queria seguir os caminhos
que insistes despistar
comer alpiste em gaiolas
pra poder me libertar
e ser cozido a lenha
em fogões sem bocas falantes;
podemos ser nosso prato
principalmente quando
ainda estivermos vivos
aos prantos embriagados
com o doce sangue de Cristo;
brincaremos com as hóstias
derramaremos vinho
vamos fazer no altar
o amor de Deus ser real
daí
iremos direto pro inferno
queimar todas as verdades
afinal de contas
você sempre ri de mim
e dessas minhas blasfêmias
quando adentramos a igreja
pra fotografar os santos;
- você precisa sempre postar todos os momentos?
vestimos tudo que é de mentira
e o mundo há de nos despir
sempre
pois no fundo
a queda é sempre rasa
sentiremos ou não
os nadas.
Pierre Tenório
queria sair correndo
pro longo abismo que crio
a cada passo que deixo
nas profundezas de mim
me desmanchar no caminho da queda
engolir objetos que nunca digiro;
vomitando pedaços e
desatando os laços
do meu vestidinho
pra morrer bem nua
na tua.
queria seguir os caminhos
que insistes despistar
comer alpiste em gaiolas
pra poder me libertar
e ser cozido a lenha
em fogões sem bocas falantes;
podemos ser nosso prato
principalmente quando
ainda estivermos vivos
aos prantos embriagados
com o doce sangue de Cristo;
brincaremos com as hóstias
derramaremos vinho
vamos fazer no altar
o amor de Deus ser real
daí
iremos direto pro inferno
queimar todas as verdades
afinal de contas
você sempre ri de mim
e dessas minhas blasfêmias
quando adentramos a igreja
pra fotografar os santos;
- você precisa sempre postar todos os momentos?
vestimos tudo que é de mentira
e o mundo há de nos despir
sempre
pois no fundo
a queda é sempre rasa
sentiremos ou não
os nadas.
Pierre Tenório
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
domingo, 1 de novembro de 2015
DO SANGUE QUE ESCORRE
descanso sem fome
comi toda vida
na noite de ontem
por um só momento
me desconstruí
achei que não era
capaz de fingir
invadindo os fins;
de dentro para fora
há de chegar tua hora
e o fogo tomará conta.
nem sei se estou morta
só quero tomar pra mim
qualquer juventude rubra
no vão das mentes espertas
há sempre uma porta aberta
terei que ficar por fora
transmutando las piedras
em desumanas obras
está nos pingos das velas
está nas gotas de esperma
está no fio da veia
também no medo das tintas
que escorrem lente às telas
estarão profundamente
os buracos dos olhos
aterrorizando o amor.
Pierre Tenório
descanso sem fome
comi toda vida
na noite de ontem
por um só momento
me desconstruí
achei que não era
capaz de fingir
invadindo os fins;
de dentro para fora
há de chegar tua hora
e o fogo tomará conta.
nem sei se estou morta
só quero tomar pra mim
qualquer juventude rubra
no vão das mentes espertas
há sempre uma porta aberta
terei que ficar por fora
transmutando las piedras
em desumanas obras
está nos pingos das velas
está nas gotas de esperma
está no fio da veia
também no medo das tintas
que escorrem lente às telas
estarão profundamente
os buracos dos olhos
aterrorizando o amor.
Pierre Tenório
terça-feira, 27 de outubro de 2015
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
perdi todo o medo que sentia das palavras quando comecei a ouvir o silêncio gritando pra eu ficar longe em sussurros ao pé do ouvido ganhei coragem pra enfrentar ausências e perigos somos conchas carregadas pelas ondas do destino que inventamos no ouvido pensante, nunca aprendi a pedir perdão mas sempre que seguro sua mão e nossos caminhos se cruzam nos meus olhos opacos o desejo de viver se reaviva mesmo cuspindo a cada ressaca pedacinhos de nós dois inexistentes se há sempre despedidas sempre haverão ultimatos.
Pierre Tenório
terça-feira, 13 de outubro de 2015
pensei que fosse fácil
escrever um poema
e comecei a escrever
vários poemas fáceis
sem pensar em nada
qualquer coisa era um poema
bastava estar impresso
ou impressionar
depois eu nem falava sobre a fome
nem sobre a ditadura
pensei que escrever um poema
fosse apenas ser
o protagonista
da carta de amor
que bebe uma taça
de orvalho esperando
o bem-me-quer
mau-me-quer
e morrer por isso.
agora
não consigo escrever porra nenhuma
apago tudo quanto penso que acabo
e continuo sem saber de quase nada
leio pra evitar ficar sozinho
não depilo as pernas
gosto como pelos aquecem
e enfeitam o corpo
apelo para que a canção
me deixe
dormir
entendo por fim que o poema
é um grito;
e tem gente que vive calada
escrevendo nos olhos
dos outros
poemas fósseis.
Pierre Tenório
escrever um poema
e comecei a escrever
vários poemas fáceis
sem pensar em nada
qualquer coisa era um poema
bastava estar impresso
ou impressionar
depois eu nem falava sobre a fome
nem sobre a ditadura
pensei que escrever um poema
fosse apenas ser
o protagonista
da carta de amor
que bebe uma taça
de orvalho esperando
o bem-me-quer
mau-me-quer
e morrer por isso.
agora
não consigo escrever porra nenhuma
apago tudo quanto penso que acabo
e continuo sem saber de quase nada
leio pra evitar ficar sozinho
não depilo as pernas
gosto como pelos aquecem
e enfeitam o corpo
apelo para que a canção
me deixe
dormir
entendo por fim que o poema
é um grito;
e tem gente que vive calada
escrevendo nos olhos
dos outros
poemas fósseis.
Pierre Tenório
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