quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Uma saudade que não sei
o poema definitivo  quase escrito
a palavra sem sílabas
a sílaba sem par
a letra desenhada pela mão
perto da ideia do não
sei

O poema termina quando desço
do ônibus e não te encontro
no meus recomeços
mandei cartas em aberto
e quando não esperava mais nada
você não me deu mais
nada

O  poema não termina
como a gente.

(Pierre Tenório)

sábado, 11 de agosto de 2018

Co-putaria

- Qual sua contribuição para esse trabalho?
- Trepar com(o) otário.






                                        
Pierre Tenório

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

A verdade é que não gosto que me olhem muito.
Não gosto que me olhem.
Na verdade, eu não gosto quando ficam me olhando.
E sabe qual é a mentira?
Minha verdade fictícia.
Eu não gosto que me olhem, mundo.
Não gosto mundo que me olhem mudo.
Não quero que fiquem me olhando com esses olhos mau olhados.
E nem ousem falar nada, melhor que fure os olhos.
E os abra.
Mas não me leia, pois não sou um poema público.
Não me olhem como se eu fosse surdo.
Estou me odiando e amando o espelho
estou contemplando os meus olhos vermelhos.
Pareço morto, mas
só estou
um tanto absorto.              (Pierre Tenório)

sábado, 4 de agosto de 2018

Risco

Escrevo coração
por cima de coração
E te amei pra sempre
mesmo antes de tocar a caneta
ou apertar o play, é,
eu te amei
Melodias cravadas
pela ventania da tristeza
onde as doces harmonias
inexatas nos constrangem
e dissipam todo medo
dia a dia
Linha por linha do corte
o brilho que nos revestiu
e reveste a não sorte
O silencio escuro
do quadrilátero
o não sentimento de solidão.
Beberei minhas lágrimas
rasuradas.
Tento enfiar a linha
na agulha
o passado não presenteia
corações
não há sangue pelo chão
não tem mais fim
E nas linhas de escrever
teu ar respira em mim.

Escrevo coração
por cima de coração
E te amei pra sempre
mesmo antes de tocar a caneta
ou apertar o play, sim, querido
eu te amei.
Tento enfiar a linha
na agulha, mas, não enxergo
a direção e minhas mãos
não me respondem.
Deito-me em teu leito
e desforro a cama
sujo os lençóis
quebro os cds
rasgo as roupas
aumento o som
bebo a última gota
do que me resta
do meu sangue
uso todo teu perfume;
o passado não presenteia
corações
e terei que arrumar tudo
outra uma vez.

No silêncio obscuro
das nossas tristezas,
sempre estivemos mortos.

Que tua coragem
me abrace.

(Pierre Tenório)


terça-feira, 31 de julho de 2018

PÉROLA

Amo tantos
que nem conto

em prosa
me leio
em sono

Se não voltam
melhor ainda;
pois não tenho

recaídas

As pessoas vão destruindo
seus sonhos
e você os das ostras
pessoas.

Pierre Tenório

domingo, 29 de julho de 2018

O caderno parece bonito.
Você sempre parece
(apesar deu estar com raiva de você)
e me confunde, mas logo passa
Ela parece a chuva quando para
parada em minha frente
molhada ainda
que nada
O que já eu
não vejo
em mim
Até parece, a solidão
do carro de som,
o bar quando ainda fechado,
a roda de coco aberta
e alguém pisando no meu pé,
e segurando meu pé,
não aguento
tanta zuada
Os olhos olhados demais
para saber onde está você não rexiste em riscar as palavras

(Pierre Tenório)