segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Ando esperando que o dia chegue ao fim
Contemplando um momento
em que o céu pare de se mover
Não falo exatamente da extinção da aurora ou do banquete sangrento da lua
choro prendendo as lágrimas.
Parei de inventar histórias sobre a noite
e meu desejo é dormir
sem pensamentos que atrapalhem essa guerra aos poucos tantos de nós
quero apenas
o fim do dia
e que meus olhos mesmo fechados
não se percam na clareza
Movo o corpo para outro lado
abro as retinas acortinadas
da mesma vida
no mesmo tempo
e ainda não desligaram o sinal de alerta
Esqueço de perguntar para quem devo
agradecer
pelo ar poluído que respiro
Silencio quando olho quantas horas
carrego nas mãos
tentando caminhar pelos lençóis da cama
as horas não tem valor
sentadas nos bares
as horas estão paradas
na calçada de casa
vagando pelos destinos
horas acompanhadas
em busca do sozinho
do eu sozinho
do ser
meu sorriso ama
quando meus próprios lábios estão tristes.
Todas as horas da minha vida já passaram
faz de conta que estais comigo

Pierre Tenório

domingo, 8 de outubro de 2017

CONTRAPESO

O rio passa sobre as pedras;
leve como chuva
beija o corpo delas.

Pierre Tenório

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Não sou uma festa
meu amor
mas, sempre terás
um espaço especial
dentro do meu camarote
e quando quiser sair
estará embriagado
demais para seguir
Você poderá dançar
e até não querer voltar
Fale mal ou bem
também, se quiser
e quando eu estiver brava
terá que pagar entrada
Não sou uma festa, amor
mas, irei devorar
toda tua grana
para que você
se sinta o máximo
de tempo agradável
Se quiser também
poderá amar
todos que já foram.

Não sou sua
festa, amor
estou apenas
um pouco triste

Pierre Tenório
CONTRAPESO

O rio passa sobre as pedras
leve como a chuva
beija o corpo delas.

Pierre Tenório

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

QUEDA LIVRE

Lancei as retinas da varanda
pra ver se alcançava liberdade

Os olhos quase cegos se enganam
achar que toda porta tem uma chave

Sobrevoei os campos corpos casas
e não consegui enxergar nada

Caí quando não abri a asas
senti quando caminhei sozinho

Fugi dos perigos do caminho
morri com o odor do amor comigo.

Pierre Tenório

terça-feira, 26 de setembro de 2017

desculpa se te agridoce com poesia

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Janelas

Enterrei alguns dos meus dentes queridos
pra num dia triste recolher sorrisos

desde então vivo de boca fechada
tentando evitar palavras erradas

quando todo mundo ri da minha cara
volto pra casa e choro sozinha

lembro das sementes que arranquei
e nunca vi fada madrinha;

já quando penso em teu riso
me perco no paraíso.

dos sonos perdidos

Pierre Tenório