terça-feira, 20 de janeiro de 2015

PENA DE SORTE

o medo vai
com a dança do menino
leve
embora
tão destino

breve

nem com
força
chora

sob forcas

indeléveis.

Pierre Tenório

domingo, 18 de janeiro de 2015

PROFESSOR

quero chorar
até as lágrimas lavarem todo chão do inferno
astral da minha alma

esvaziarei arestas, becos, cantos e prantos
dessa chuva ácida sob nossas peles,
até que elas fiquem leves
e voem

como catarse
piolhos,

só assim poderemos voar
com asas de tsuru;

quero chupar o sangue das muriçocas
dessa cidadela,
voar voar

como os vampiros
mudam de planeta e

só assim poderemos;

quero cortar os pés
pela raiz, para rastejar aos teus

pés esvoaçantes,

pois tudo o que quero
é querer mais,

saber como é morrer
sem que me digam que estou;

não confessarei os meus pecados,

quero trafegar sobre os quereres
de ninguém mais, esse é o nome dele,

e aprender

a

digitar um texto corrido sem pudores
ou edições;

queimarei as tuas provas

na fogueira das
profundezas

que não aprendo

a professar.




Pierre Tenório









sábado, 17 de janeiro de 2015

AMPUNHETAS

dizem que paixão
é uma chama

mas, na verdade

não passa
de uma cama

bem
forrada;

dizem que o eterno
é enquanto dura

mas, na verdade

só enquanto
ele perfura

e ela
fica mole.

Pierre Tenório

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

TREMORES

em cada toque
um abalo
cínico.

Pierre Tenório

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Alá Akbar’

eu sou as almas penadas
que em nome de Deus

morrem
atormentadas
pelos próprios 'fieis'

que se julgam tão Seus;

eu sou as almas escuras
assombradas
e esquecidas

pelo chão
de suas vidas;

sou as almas das crianças,
das mocinhas e rapazes,
dos avôs, avós,
famílias,

também das donas dos lares;

sou a trava da arma
sou o sangue petróleo

sou a parte do olho
que fabrica as lágrimas

de amor pelo outro.

sou a pequenez
de um deus grande

e invisível;

sou os sentidos
de humanos

sem sentido

e depois me dizem
que o diabo

que é terrível.

Pierre Tenório.



domingo, 11 de janeiro de 2015

qualquer hora voltarás
ao patamar
de qualquer um.

Pierre Tenório

sábado, 10 de janeiro de 2015

inspiro

nos poréns
dos meus princípios

de finais
até inícios

teus indícios
me confundem.

mas, nos polens
destas flores

de raízes
mutiladas

tuas mãos
aguam terrenos
cimentados

onde espirros
são escarros

expiro e
ofego.

Pierre Tenório