sábado, 12 de julho de 2014

insisto em descer aquelas escadas
que desci ontem;
estive em saltos altos e
desci as mesmas escadas
que desci ontem as mesmas.
No entanto, as escadas
mesmas; de manhã
escadas descidas
de manhãs mesmas,
eram escadas... e pecados.
(espera um pouco); as manhãs
eram as mesmas manhãs
sob as escadas,
nas despertas manhãs sobre
(os sonhos)
escadas, pelo amor
dos deuses, por mais que eu suba
e desça, estarão lá
as nossas mesmas.


Pierre Tenório

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Poema Tarot

as palavras são cartas;
o sentido, destino.

Pierre Tenório
ARTE FACIAL

O problema
da criação;
é reprodução.

O motivo
decepção;
é percepção.

Sentimento
de coração;
é revolução.

Pierre Tenório

sexta-feira, 4 de julho de 2014

nada passa
tudo posso

tudo ou nada
ócio.

tudo passa
nada posso.

nada ou tudo
dócil.

Pierre Tenório

quinta-feira, 3 de julho de 2014

VÁCUO DE REGINA

não importa se minha boceta treme
em busca do amor perfeito que tanto
odeio, enquanto os lábios beijam o
trânsito maluco das ruas brasileiras;
as bancas de jornal vendem
os meus corações em vão, para qualquer
não leitor, que odeia
o que tanto amo e não
importa mais, porque os cataventos
insistem em girar ao contrário dos
girassóis secos, nas manhãs
de sábado, domingo, segunda e
teça minha liberdade aprisionada
e doida pra ser desencadeada, por favor,
teça, mas,
não me dê ouvidos, que louca
sou. (entre parênteses permeio maluca
em vozes de brilhantina, novamente
entre os para-brisas.)
comida em colchões de vento, torno-me
alimento de macumbarias
em meio aos cortejos
de negões na batucada.
madrugada atenta, chego em
bordões poéticos embriagados, estarei
pensando em nosso amor solitário,
no prazer das incertezas
que irei te matar
de sexo, nem que seja por feitiço.
o feitiço dos olhos nos
membros e todos os membros
de qualquer família.

Pierre Tenório

quarta-feira, 2 de julho de 2014

O CÃO DO APOCALIPSE

Coloquei duas bolas de gude
nos buracos dos olhos do amor,
lancei um encanto sobre elas,
mas, nem assim ele enxergou.

Entreguei-lhe uma harpa cristã
para ouvir algum divino som
mas, o amor só tem único dom
de soltar melodias pagãs.

Decidi dedicar uma dança
onde o corpo mexesse com alma
e com gestos declarou vingança;

O feitiço caiu sobre mim.
Mas quem besta fera é o amor
para nos cegar tanto assim?

Pierre Tenório

terça-feira, 1 de julho de 2014

VERSOS DE FUMAÇA

poderia abraçar o silêncio
se os sapatos não apertassem tanto;
a paz que despreza os momentos
equaliza o anseio de prantos.

poderia revelar os segredos
se dúvidas não causassem medo
da guerra perdida e o ensejo
de vitória entre os pesadelos.

o fim agora é comédia
teatralmente ensaiada
em atos de putas tragédias.

começo a recomeçar
deletando os mil motivos
que o fazem me abandonar.

Pierre Tenório