sábado, 4 de dezembro de 2021

a última coisa que poderiam me roubar 
era a espontaneidade dos poemas 
ainda assim eu deixei 
que levassem de mim 
a única forma que eu sabia amar 
a única forma que me deixava por fora 
das formas. me sinto como uma boca
de fogão sempre acesa. me sinto 
bela e ao mesmo tempo, tempo.
cansei de escrever para mim.
cansei de escrever para você. 
também cansei de beber, bebê. por hoje 
cansei de você.  
você significa todo mundo. 
o amor significa todo amor. 
não queria ter que explicar isso.
eu só preciso escrever mais algo.
eu só preciso dizer que te amo. 
meus dedos digitam sozinhos
 
 


sábado, 27 de novembro de 2021

saio para os mesmos lugares 
encontro as mesmas pessoas
circulo pelas veias da cidade 
demostro meu abraço
escondo meus poemas 
danço como uma alma 
come, devora, exala  
eu gosto de olhar os teus olhos
me disfarço
me exponho 

amo-te e me amo
escrevo com a força
da solidão 
procuro conhecer 
a língua que falo. 
 

 
 


sexta-feira, 26 de novembro de 2021

enquanto você comemora 
a esperança do outro
vai embora. 

terça-feira, 23 de novembro de 2021

eu gostaria de te falar algo 
e peço que leias com desatenção 

para que revoltes e me desenvolva
discorrendo os tempos em que fui profunda

se voltei não sabes e também não sei 
só quero que leias minhas novas leis 

só quero que vejas que não sei ser rei 
mesmo assim descanso em tronos alados

nos meus pensamentos não estais calado 
como o tempo escorre nos olhos ao lado 

recorro ao carinho de mãos ancestrais 
me evolvo em pétalas e milharais 

sentimentos mergulham profundo
rasgando mundos, muros e roupas. 



 










segunda-feira 
e você não chega
acabou cerveja
já repus a mesa
e você não chega
você não me deixa 
você não se queixa 

você não me ama
e tanto me ama 
são tantos vocês 
que me esqueço deu
deu tudo certo 
distante, perto 
foi papo reto
ereto, concreto 
amor indiscreto
indiscrente 
benéfico 
ultravioleta 




sexta-feira, 19 de novembro de 2021

sobrevivente

fui atropelado
pelos teus olhos
e mereço morrer

por não pesadelos
possamos
ter.

esquecimento 

colo os pedaços dos teus olhos
no banco traseiro do automotivo 

eu que estive sentada por tanto
tempo que vem pela frente 

não sou mestre das palavras
e desafino quando assobio

eu bem te vi quando você me 
ignorou, mesmo assim 

não caberia neste verso 
o que eu cantaria em Adele.