quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Por trás das grades
observo a paisagem
chover em câmera
lenta.
Sobre as lentes
dos olhos, os pingos
secam tão rapidamente:
que o teu eterno
em meu presente.

Pierre Tenório

domingo, 26 de outubro de 2014

COLHENDO FRUTAS PODRES

estalando os mesmos ossos
quase pude perceber
que a vida de tão rude
não irá nos esquecer

gentilmente leal
nunca ouviu-se igual

e já que a morte é tão falha
dar-se então mil gargalhadas

não ter significado
e transcender
entre os acasos

como ater conformidade
pra não mais sentir
vontade

de beber um suco fresco
com biscoitos de saudades.

Pierre Tenório


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

DESINTOXICAÇÃO

Com todos os poros abertos
contra gotas de sentimentos
o que agora se faz tão podre
e de tão mal odor tormento

dançando de alma despida
o corpo implora partida

não há nada que umedeça
as cicatrizes dessa sombra
por mais incrível que pareça

transbordando por entre os rastros
perfumes voltam aos seus frascos.

Pierre Tenório

terça-feira, 21 de outubro de 2014

QUEBRA-CABEÇA

As cenas nos digeriram
sem sequer saber, dirijo;
sem querer realizaram
os sonhos da nossa farsa

a cena nos mastigou
do íntimo ao figurino

as cenas nos encenaram
enquanto tanto fingíamos
aprender a ser quem somos

a cena é só mais uma
peça a ser perdida.

Pierre Tenório

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

esperei o sono chegar alguma hora
entre um bocejo e outro eu pensava em
algo para escrever com sono,
não creio que vá conseguir
convencer
ou ser delicado
não creio que meu raciocínio
me permita
sair do meu raciocínio principal
bocejo
que é dormir
fazia tempo que não via o corujão
em mute
mas, não preciso ver
o sol nascer.

estou com tosse e
escrevi um projeto de retranca
abaixo,
conversei com alguém legal
ouvi joão pernambuco,
parece que estou escrevendo
uma carta de despedida,
não costumo vomitar tanto;
mas, posso começar a relatar coisas
em rascunho
o ensaio não foi legal.

t,Pierre
APANHADOR DE PESADELOS

Afago-me ao travesseiro
relembrando pulso a pulso
inspiro nos rígidos músculos
teu corpo milagre terceiro

consagro lençóis de ausência
insônia, dor, auto-clemência

reverencio pesadelos
lamento não gozar escolha
meu exímio sonho é te-los

morrer em silente desejo
é adormecer sem um beijo.

Pierre Tenório

terça-feira, 14 de outubro de 2014

CAMISA DE FORÇA

procurei durante algumas
semanas e
encontrei este poema
que escrevo em despedida;
nele posso passar alguns
dias de férias
algumas pílulas
também há flores
talvez flores
artificiais
e naturais misturadas,
algumas orações,
canções e
lembranças.

nele está a fazenda
cavalos e vacas e porcos
e lago.
em despedida a tristeza
escrevo sobre a vida
real
que vejo no brilho
do semblante dos manequins
das vitrines
em liquidação,
enquanto me despeço da cidade
sinto cheiro e as cores
da calmaria.
sorte no jogo

Pierre Tenório